Caminhos para a igualdade salarial no esporte
Enviada em 16/04/2023
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma pedra acima eternamente. Todos os dias, o personagem mítico atingia o topo do rochedo mas quando a exaustão o tomava, retornava à base. Paralelo à narrativa, a realidade brasileira torna-se semelhante ao manter constante a desigualdade de gêneros no esporte. Emerge, assim, um problema salarial de caráter machista e segregacionista, consequente do desinteresse governamental e sociedade com mentalidade estagnada.
Em primeira análise, deve ressaltar a omissão governamental diante a renda distribuída nas seleções esportivas. Nesse contexto, a Constituição Federal de 1988 - documento jurídico mais importante do país - prevê em seu artigo 5° o direito à igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não se reverbera na prática, ao haver taxas de salários femininos 234 vezes menores que os masculinos, ainda que na mesma posição de jogo. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a pendurar.
Ademais, é fundamental apontar os pensamentos machistas como impulsionadores da mazela social. Diante disso, as frases como: " isso não é coisa de menina" e " mulher não sabe jogar, time fraco" são comuns no cotidiano do país, aumentando a desvalorização e desinteresse das mulheres no setor esportivo. Então, faz-se imperiosa a mudança das concepções e falas no dia a dia.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tais obstáculos. Para isso, é importante que o Ministério da Educação insira - nas escolas de ensino fundamental e médio - profissionais de educação física com preceitos de inserção feminina nos “esportes masculinos”, a fim de influenciar a mudança de pensamento na sociedade. Paralelamente, faz-se imperativo que o governo, por meio das federações esportivas, revisem os salários dos jogadores, garantindo os direitos a ambos os gêneros. Assim, consolidará-se uma sociedade mais humana e igualitaria e um Estado cumpridor efetivo da Lei Maior.