Caminhos para a igualdade salarial no esporte
Enviada em 16/04/2023
O livro “Cidadão de Papel”, escrito por Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, defende que os direitos do povo no Brasil, são cumpridos apenas no papel. Paralelo a isso, a Constituição Federal de 1988 - documento jurídico de maior importância no Brasil - prevê em seu artigo 5° que homens e mulheres são iguais em seus direitos e obrigações, sendo esse mais um que permanece apenas redigido e não exercido. Então, observa-se o fato perante a desigualdade salarial no esporte, que se faz extremamente presente e evidencia o machismo e patriarquismo injustamente enrraizado na sociedade brasileira.
Em primeira análise, as dificuldades para alcançar a igualdade salarial, em âmbito esportivo, não possui relação com o desempenho dos jogadoros, em razão de que mesmo atingindo resultados melhores que as equipes masculinas, a remuneração continua incrivelmente desproporcional. Em conformidade com o fato, no futebol internacional a equipe masculina recebeu um valor 4,5 vezes maior, perdendo nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014, que a equipe feminina sendo vitoriosa no mundial.
Tal paradigma, fruto do patriarquismo consolidado na sociedade, reforça pensamentos machistas e sem fundamentos sólidos, além de distanciar os indivíduos de uma sociedade justa e igualitária. Esse contexto reforça a busca feminina por espaço em áreas antes denominadas apenas masculinas, e sua luta para garantir seus direitos.
Depreende-se, portando, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprenscindível que o Ministério do Esporte impulsione a divulgação de eventos esportivos e praticantes de caráter feminino, a fim de uma mudança na mentalidade social para melhor inserção e aceitação das mulheres nos esportes, além de incentivar sua repercursão e garantir a visibilidade tão merecida pelas profissionais. Paralelamente, é imperativo um imediato alinhamento do governo com as federações responsáveis, para o devido reajuste no salário das jogadoras, e assim, cumprindo o direito da mulher diante da sociedade machista no Brasil, garantindo a igualdade, tirando- a do papel.