Caminhos para a igualdade salarial no esporte
Enviada em 12/05/2023
Em 1988, a sociedade foi agraciada com um dos mais relevantes documentos jurídicos do século XX, a Constituição da República Federativa Brasileira, cujo texto assegura igualdade a todos os indivíduos. Contudo, a disparidade de salárial entre homens e mulheres no esporte inviabiliza a efetivação da prerrogativa prevista no tratado. Em verdade, para transpor o impasse, faz-se necessário combater a omissão estatal e fortalecer a dignidade honra humana.
Diante desse cenário, o conceito filosófico de contrato social, originário da Europa do século XVIII, trata do dever que o Estado tem - ou ao menos deveria ter - de garantir direitos fundamentais aos cidadãos. No entanto, o grande investimento em esportes voltados ao publico masculino evidencia que o contratualismo europeu não é uma realidade que se estende às as mulheres esportitas da nação. Esse fato encontra respaldo na ausência de debate sobre o tema, visto que o Governo pouco informa sobre o valor dos esportes e campeonatos femininos, o que dificulta a enaltecimento dessas artes exercidas pelo público feminino.
Além disso, quando a dignidade humana for um valor primordial na sociedade atual, a problemática em questão receberá o tratamento que lhe é devido. Sob esse viés, John Rawls, expoente filósofo político do século XX, sustentava que desigualdades sociais e econômicas são obstáculos à equidade. Com base nisso, as mulheres nos esportes experimentam, em seu cotidiano, a carência denunciada por Rawls, à medida que enfrentam dificuldades em se manterem nos esportes devido a baixa remuneração - e falta de reconhecimento - desistem de seguirem carreiras esportivas, pois precisam de renda para sobreviver. Por conseguinte, urge a igualdade entre os gêneros no Brasil: fator imprescindível em uma estrutura social igualitária e democrática.
Portanto, para garantir os benefícios previstos pela Constituição Federal, as instituições educacionais, responsáveis por fomentar a transformação coletiva, devem estimular a população a reivindicar melhorias em relação a igualdade salarial no esporte, por meio de projetos pedagógicos - aulas, palestras, ações comunitárias - capazes de mobilizar tanto o Estado quanto a coletividade. Conduzindo o Brasil a vivenciar, efetivamente, a dignidade humana.