Caminhos para a igualdade salarial no esporte

Enviada em 18/05/2023

“A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação”. Essa afirmação, atribuída ao dramaturgo inglês Oscar Wilde, figura o principal caminho para construir a igualdade salarial no esporte, já que é justamente pela passividade e conformismo que houve no passado, que se construiu a desigualdade encontrada hoje. Nesse sentido, fica claro que tal quadro surge da culturalização do comportamento. Desse modo, agravam o quadro central não só o estereótipo de gênero, como também a manipulação midiática.

Sob esse viés, é notório a princípio que o estereótipo de gênero, culturalmente construído ao longo do tempo, cristaliza os estigmas associados à desigualdade salarial no esporte, visto que os preconceitos envolvendo o sexo feminino nas modalidades esportivas persistem na sociedade. Dessa forma, mulheres são vistas como menos atléticas, menos competitivas e de menor valor em comparação com os homens. Por isso, desconstruir esse cenário em relação às práticas esportivas é de suma importância para reverter essa desigualdade.

Além disso, é válido ressaltar que a manipulação midiática desempenha um papel significativo na perpetuação da desigualdade salarial nos esportes femininos. Essa afirmação encontra força na citação de Zygmunt Bauman, para quem, “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, já que a pouca visibilidade direcionada às modalidades praticadas por mulheres, afeta diretamente seu reconhecimento e a capacidade de atrair patrocinadores lucrativos. Assim, ampliar a visibilidade na mídia é um ótimo caminho para reverter esse quadro.

É evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para mudar essa realidade. Por isso, o Ministério da Educação deve aprofundar o tema, por meio de palestras nas escolas, que visem a desconstruir as percepções limitantes do gênero e reconhecer o valor das atletas, com o fito de mudar essa mentalidade desde a base, revertendo assim o estereótipo ultrapassado no corpo social. Ademais, a Sociedade Civil Organizada deve cobrar, por meio de petição direcionada a grande mídia e aos patrocinadores, que adotem o compromisso de ter igualdade na representação dos esportes femininos. Dessa maneira, aumentando a valorização e, por conseguinte, o retorno financeiro em seus salários.