Caminhos para a igualdade salarial no esporte
Enviada em 24/07/2023
A constituição federal, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 5 a igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Essa afirmação mostra-se quimérica quando se observa a desigualdade salarial extremamente aparente no esporte, tendo a distinção de gênero como principal atenuante. É perceptível, portanto, que o machismo enraizado na sociedade brasileira desde os primórdios de sua existência é o principal fator causal e tem como consequência a falta de reconhecimento da figura feminina no esporte. Tal situação configura uma grave ferida social e precisa ser combatida.
Precipuamente, é inegável que a ideia sexista de que mulheres são inferiores a homens aprisiona o pensamento social e abre margem para diferentes tratamentos. É bastante comum ver os reflexos dessa linha de raciocínio inundando o esporte como um todo, o que reafirma o pensamento arcaico de que deve haver comparações entre os sexos. é necessário, destarte, que o sentimento de aborrecimento sobre essa questão seja expressado, haja vista o pensamento do escritor inglês Oscar Wilde, que define o descontentamento como o precursor do desenvolvimento de uma nação.
Ademais, vê-se a desigualdade salarial surgir cada vez mais marcante no âmbito social como resultado da falta de reconhecimento das habilidades de atletas femininas. Embora mulheres apresentem muitas vezes melhores resultados nos mesmos esporte que homens, o seu esforçado ainda é menosprezado. Estando esse pensamento atrelado à ideia de que a mulher deve ocupar posição de submissão em relação ao homem, o Contrato Social de John Locke é posto em risco. Isso porque o estado, ainda que tenha por função assegurar a igualdade entre os individuos, é incapaz de pôr essa obrigação em prática.
Por conseguinte, é indubitável que, a fim de erradicar os fatores causais dessa desigualdade no esporte, o governo vise uma melhoria na legislação do país - e busque formas de colocá-la em exercício -, tornando esse um meio mais justo para as pessoas. É necessário também que o governo busque promover campanhas de conscientização, a fim de tornar a igualdade não apenas fruto de uma utopia e pertencente a um documento, mas uma realidade social.