Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 06/09/2019

No final da década de 80, o surgimento do crack, um subproduto de baixo valor da cocaína que deve o seu nome aos estalos que emite ao ser queimado, logo se tornou o prazer e a praga dos seus usuários. Passados mais de 30 anos desde então, o cenário mudou: hoje, a droga está presente em todos os níveis sociais, estimando-se que 370 mil brasileiros são usuários regulares da substância, conforme afirma o Instituto Fiocruz. Nesse contexto, deve-se levar em conta a ausência de políticas públicas que se atentem, principalmente, à reurbanização dos pontos atingidos pela epidemia, além do quadro agravado pelas as ações de combate excessivamente focadas no uso da coerção.

Em primeira análise, a “epidemia do crack” iniciou nas cidades americanas e forçou o governo estadunidense a tomar medidas rápidas para combater a dependência da droga, por meio da reurbanização e mobilização policial para atuar na prevenção. Todavia, contrário às ações executadas no país norte-americano, o Estado brasileiro carece de ações estruturadas entre o governo federal e estadual para combater o crack, que atinge desde os grandes centros urbanos até mesmo cidades do interior. De fato, prédios ocupados por usuários de drogas, praças públicas que se tornam ponto de venda e o crescimento de locais conhecidos como “crackolândia” tomam conta do espaço urbano que consequentemente, influem na degradação do usuário e dos locais públicos.

Outrossim, um segundo aspecto relevante gira em torno da abordagem violenta aos usuários da droga. Com efeito, a atual política repressiva afasta o dependente químico do acesso à serviços básicos da saúde pública. Por certo, o modelo atual de tratamento de usuários, que são retirados do convívio social à força para a intervenção, eleva o número de vítimas, sendo que, a violência nas principais cidades brasileiras está fortemente relacionada à introdução do crack, segundo apontam estudos realizados pelo governo federal. Nesse contexto, o país demonstra o despreparo da saúde e agentes públicos na intervenção de uma droga tão específica.

Diante disso, o Governo Federal e Estadual deve adotar medidas que caminhem juntas. À priori, é fundamental que Governo Federal, mediante o Ministério do Desenvolvimento Urbano realize obras de reurbanização dos pontos críticos tomados pela epidemia, a fim de retomar os locais degradados, além disso, é essencial a criação de uma força-tarefa da Polícia Civil, por meio do investimento na segurança pública, que investigue a expansão do tráfico com o intuito de contê-lo. Ademais, cabe ao Governo Estadual, por meio das Secretarias de Saúde, elaborar novas formas de abordagem dos dependes químicos, por meio da mobilização de assistentes sociais, psicólogos e médicos aptos a intervirem no quadro conforme a necessidade de cada usuário com o intuito de ofertar o tratamento para todos.