Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 01/09/2019

O sociólogo Durkheim postulou o termo “anomia social” para se referir ao estado de caos na sociedade, o qual se aplica à questão da epidemia de crack no brasil. Nesse sentido, é notória que as atuais medidas, como internação compulsória, não são eficazes, com isso, há o recrudescimento do entrave para o combate a essa epidemia. Ademais, vale ressaltar que a dificuldade em manter os usuários em abstinência e a facilidade na aquisição dessa droga, corrobora para a dificuldade do seu combate. Por isso, é de suma importância que haja medidas para reverter essa situação.

Nesse contexto de internação compulsória, o governo brasileiro sancionou uma nova lei em 2019 que permite a internação à força dos dependentes químicos. Entretanto, essa medida é falha, pois de acordo com reportagem exibida no programa “A Liga”, famílias que puseram os adictos em reabilitação por meio da coerção não obtiveram sucesso no tratamento. Tal retrato reitera a necessidade de lidar com esses indivíduos de forma mais humanizada, ao tentar convencê-los e ampará-los quando quiserem iniciar o processo de reabilitação. Porque, não raro, há reincidência dessas pessoas para os locais de venda desses produtos, a exemplo da “cracolândia” em São Paulo, para onde esses seres vão ao fugirem das clínicas e chegam ainda mais revoltados pela forma austera de internação.

Ainda nesse viés, segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país com o maior número de usuários de crack. Em análise, percebe-se que o fato do Brasil esta cercado por países produtores de cocaína, material essencial para a produção dessa droga, a falha de segurança nas fronteiras facilita a entrada de produtos ilícitos na nação. Somado a isso, o Ministério da Saúde (MS) afirma a dificuldade em encontrar maneiras de manter o adicto em abstinência, pois, é uma droga de curta duração e efeitos intensos, sendo mais uma problemática para a situação. Assim, conforme o “Fato Social” de Durkheim, a sociedade sendo um organismo vivo, deve haver bom funcionamento para não afetar o todo. Desse modo, é fundamental mais segurança e pesquisas nessa área.

Portanto, faz-se necessário que o Estado atue por meio da Polícia Federal nas fronteiras, ao tratar com mais rigor a segurança dessas avaliando com mais cautela as mercadorias e pessoas que por ali circulam. No entanto, é preciso fornecer treinamentos que torne mais eficiente à atividade desses agentes. Em adição, o MS e o Ministério da Educação devem qualificar o corpo de saúde responsável pelo tratamento dos usuários, ao fomentar nas universidades pesquisas com estudantes da área social e da saúde melhores maneiras de tratá-los e conscientizá-los. Além de esses profissionais estarem disponíveis para acalentar e iniciar a reabilitação quando for de vontade própria dessas pessoas. Assim, paulatinamente, conseguir-se-á reverter essa mazela social.