Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil
Enviada em 14/12/2020
“Que maravilha seria se ninguém precisasse esperar um único momento para melhorar o mundo”. Essa era a visão de vida perfeita idealizada por Anne Frank, ao escrever o seu diário em Amsterdã, pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial. No contexto atual, porém, a epidemia do crack distancia a realidade brasileira desse cenário dos sonhos.Isso se deve a dois caminhos falhos no combate a essa problemática: a ineficácia governamental e a omissão da sociedade, que evidenciam a necessidade de mudanças.
Em primeiro lugar, segundo o filósofo utilitarista Jeremy Bentham, o Estado deve governar de forma a proporcionar a felicidade ao maior número de pessoas. No entanto, o Governo não cumpre o seu papel, uma vez que não produz medidas preventivas para combater tal derivado da cocaína, tais quais, canais de denúcias e locais de acolhimento-principalmente para aqueles que se encontram em situação de morador de rua. Nesse contexto, segundo dados do Data Folha, é notório que mais de 37% da população vivenciam essa problemática devido à falta de apoio governamental, uma vez que a droga serve de escape para aqueles que não têm seus direitos inalienáveis respeitados. Dessa forma, a necessária superação dessa demanda, configura-se como um importante desafio da pós-modernidade.
Vale ressaltar, ainda, sob ótica sociológica, que a omissão da sociedade é outro fator impulsionador da epidemia do crack no país. Isso pode ser comprovado pela fala do antropólogo Sílvio Brava, o qual afirmou, em entrevista à revista Le Monde Diplomatique Brasil, que o aprofundamento dos casos-até mesmo em locais longíquos dos centros urbanos-deve-se ao silêncio da sociedade, a qual entende como sendo normal a exclusão que sofre desde os tempos coloniais. Nessa perspectiva, muitos casos dessa temática não são devidamente denunciados e nem notificados à policia civil, o que colabora para um cenário de abandono e calamidade no Brasil. Dessa maneira, a sociedade torna-se vítima das suas próprias omissões e contradições.
Infere-se, portanto, que a histórica inabilidade estatal e a omissão da sociedade são fatores impulsionadores da epidemia do crack no Brasil. Logo, a fim de mitigar essa problemática é imperativo que o governo federal,como provedor dos direitos sociais, invista em medidas preventivas em relação à utilização do crack, o qual pode ser feito por meio de locais de acolhimento que priorizem esportes, alimentação saudável e debates responsáveis por desmistificar o uso dessa droga. Paralelamente, a Mídia, como influenciadora da consciência coletiva, deve promover debates midiáticos com pessoas que já foram vítimas desse vício, com o intuito de conscientizar a população acerca da importância da sua atuação efetiva. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada para o benefício de todos.