Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 17/12/2020

O filme norte-americano “Kids”,lançado em 1995, retrata o comportamento desajuizado dos jovens em relação ao uso compulsório de entorpecentes. Fora da ficção, no Brasil, com o surgimento de uma nova droga: o crack, que é o entorpecente oriundo da cocaína, disseminou-se em larga escala em todo território nacional e, dessa forma colaborou para construção de diversas barreiras sociais. Nesse cenário, dois fatores corroboram para a propagação do problema. São estes: a desigualdade social que evoca a marginalização dos usuários de drogas e a carência de centros de tratamentos psicológicos oferecidos pelo sistema público de saúde.

Sob essa perspectiva, a filósofa Simone de Beauvoir desenvolveu o conceito conhecido como Invisibilidade Social, que diz respeito ao processo de apagamento e de marginalização sofrido por determinados grupos excluídos. Dessa maneira, a ascensão no número de usuários de drogas evoca uma nítida desigualdade social e dificulta a acessibilidade desses indivíduos aos direitos básicos do cidadão, uma vez que essa parcela populacional sobrevive em situações precárias e, consequentemente, tornam-se dependentes químicos pelo fato da droga ser vendida a preços alcançáveis.

Inclusive, é válido ressaltar que o uso excessivo de drogas provoca um impasse à saúde mental. Sobre isso, a Constituição Federal de 1988, afirma que é dever do Estado promover o acesso à saúde a todos os cidadãos. Todavia, a acessibilidade aos tratamentos psicológicos oferecidos pelo sistema público de saúde não é viável para todos os dependentes químicos. Segundo, a pesquisa da Fiocruz exposta no documentário “Crack, repensar”, é retratado que menos de 5% da parcela de usuários de drogas teria indicação de internação voluntária, já a internação involuntária é menos de 1%. Além disso, a exclusão social prejudica o tratamento, já que em alguns casos os usuários retornam ao estado de precariedade.

Por fim, urge que o Ministério da Saúde atue por intermédio de verbas governamentais para a abertura de novos centros de tratamentos psicossociais, que detalhem com atividades socioeducativas sobre os malefícios do crack para os dependentes químicos, a fim de diminuir o número de usuários de drogas em situações precárias. Feito isso, contribuirá para combater a marginalização e o apagamento dessa população desenvolvida por Beauvoir.