Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil
Enviada em 20/12/2020
O número de pessoas em situação de rua, na cidade de São Paulo, aumentou mais de 53% se comparado a 2018. Muitas das pessoas, que estão nesta condição, estão lá por conta do vício em crack que, por conta do baixo custo e fácil acesso, acaba atraindo esta massa em situação de vulnerabilidade. Com o crescente número de viciados, a falta de continuidade de diversas ações da gestão pública, nos últimos 15 anos, somente agravou o problema.
Um levantamento realizado pela prefeitura da cidade de São Paulo, em 2020, concluiu que chegou a média de 25mil o número moradores de rua. Além deste número, notou-se também um crescimento do número de atendimentos a dependentes químicos, chegando a 56mil atendimentos prestados,. É possível concluir que, dentro deste grupo de pessoas, o número de dependentes também aumentou. Em contraste com o centro histórico da cidade, é onde fica a maior concentração, local que é conhecido como cracolândia, desde o seu nascimento em 1994, devido à facilidade de se encontrar a droga e que logo se tornou também o abrigo para os usuários.
As ações conflitantes no histórico da gestão da cidade contra a cracolândia, ora tentando coibir com força policial ora acolhendo o usuário por meio de ongs, acabou somente por piorar o problema, pois não apresentam um plano efetivo e nem fizeram as manutenções necessárias para este tipo de combate. O exemplo mais recente aconteceu, em 2017, com a mega operação feita pelo então Prefeito da época João Doria, que, com o intuito de acabar com a cracolândia, mobilizou um grande efetivo da PM até o local fazendo algumas prisões e dispersando o grupo, ação que reduziu o problema apenas por alguns meses.
Portanto, com este histórico, é possível concluir que a cracolândia, sendo um problema de saúde pública, necessita de continuidade de ações para a obtenção de um efetivo resultado. Uma maneira de se iniciar esta ação é por meio de uma parceria entre a Prefeitura e Governo do Estado que, com um plano de descentralização dos equipamentos sociais, colocaria os centros de apoio em regiões periféricas da cidade, facilitando o contato com os laços afetivos destes dependentes e facilitando, com a dispersão do grupo, a identificação dos pontos de tráfico para melhor combater este problema em sua raiz.