Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil
Enviada em 29/05/2021
Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig fugiu de seu país sob ameaça nazista, e encontrou refúgio no território canarinho. Impressionado com o potencial da nova casa, teceu uma obra intitulada “Brasil, país do futuro”, que aponta para a possibilidade de uma nação próspera dentro das próximas décadas. Entretanto, quando se observa a epidemia de crack no Brasil, verifica-se que o ideário exposto por Stefan não saiu do papel. Dessarte, essa realidade deve-se, essencialmente, à negligência estatal e à falta de ativismo social.
Diante desse cenário, persiste a omissão das autoridades acerca da epidemia de crack no Brasil. A esse respeito, Zygmunt Bauman - sociólogo polonês do século XX - teceu o conceito de Instituições Zumbis, que segundo o qual o Estado perdeu a sua função social, mas manteve - a qualquer custo - a sua forma. Nesse viés, o Poder Público brasileiro se enquadra na teoria das Instituições Zumbis de Bauman, na medida em que não impõe políticas capazes de combater o uso de drogas e ofertar condições favoráveis à reabilitação de usuários. Assim, enquanto o problema denunciado por Zygmunt Bauman for regra, o rompimento efetivo da epidemia de crack será utópico.
Ademais, há de se desconstruir a cultura histórica de consumo de entorpecentes, que cria terreno fértil para a dependência química. Nesse sentido, o Movimento de Contracultura - latente nos Estados Unidos do século XX - utilizava as drogas como estratégia de subversão e empoderamento social, herdada do Movimento Hippie norte-americano. Essa prática imprudente se perpetua no Brasil e pode ser relacionado ao uso de drogas por diversos influenciadores contemporâneos, que postam em suas redes sociais tais substâncias capazes de acarretar vícios, principalmente ao público-alvo dessas postagens, os jovens. Dessa forma, se a inconsequência experimentada no Movimento Hippie se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas à saúde pública: a epidemia de crack.
Isto posto, é inegável a ação de ONGs (Organizações não governamentais) para a resolução do impasse. Para tanto, o Instituto Ethos - associação destinada à concepção de uma comunidade sem conflitos - deve pressionar o Poder Executivo, por intermédio de campanhas nas redes sociais, para que ocorram palestras sobre os malefícios, tanto no âmbito social quanto no da saúde, do uso de drogas, de modo que ocorra a massificação do tema na coletividade. Além disso, o Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, deve ampliar os investimentos de recuperação dos dependentes químicos, construindo mais clínicas de reabilitação e contratando mais profissionais que trabalham nessa área, tendo como finalidade combater incessantemente a epidemia de crack no Brasil.