Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 30/09/2021

A série da HBO “Euphoria” relata os conflitos internos e familiares da protagonista Rue após sair da reabilitação. Tal obra fictícia, mostra-se semelhante a realidade enfrentada pelos dependentes químicos no Brasil, os quais muitas vezes são negligenciados, o que dificulta o combate a epidemia de crack. Essa problemática decorre e persiste devido a dois principais fatores: a baixa capitalização estatal e os efeitos causados pelo uso constante dessa droga ilícita.

Nesse sentido, é primordial destacar que a carência de tratamento para todas as classes sociais vítimas de narcóticos deriva da ineficiência do Poder Público no que concerne à criação de clínicas de recuperação. Sob a perspectiva do filósofo John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos. Entretanto, é notório o rompimento desse pacto, visto que, a baixa atuação das autoridades denuncia o descaso com a manutenção da saúde dos usuários de crack. Dessarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução desse impasse.

Outrossim, o cenário marginalizado e violento - fruto do vício - mostra-se como outro desafio.  De acordo com A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), há um perfil dominante quanto aos usuários de crack - homens não-brancos e periféricos - o que denuncia como podem ser vítimas da vida que lhes foi proporcionada. Nesse sentido, a busca por saciar a dependência resulta, muitas vezes,  em conflitos travados em locais insalúbres com traficantes ou policiais, e, logo, um grande obstáculo para o fim dessa epidemia.

Diante do exposto, é imprescindível a minimização dessa problemática. Para diminuir drasticamente o uso do crack, urge a mobilização do Estado, que, por meio da destinação de recursos, deve criar áreas de recreação para os dependentes, além de flexibilizar a política antidrogas a fim de conceder ajuda médica e não punição. Como efeito, a sociedade irá se desvencilhar das situações vividas por Rue em “Euphoria”.