Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 11/10/2021

Perda da realidade. Efeito rápido e devastador. Dificuldade de se relacionar com as pessoas. A epidemia de crack no Brasil aumenta a cada dia e, diferente do esperado, os caminhos para o combate não estão sendo suficientes para diminuir o consumo e, consequentemente, seus efeitos sobre os usuários. Isso decorre, especialmente, pelas iniciativas ultrapassadas do Estado no combate e a glamourização do uso das drogas.

Diante desse cenário, é válido destacar que o governo apresenta medidas que não cooperam ao combate do uso de crack à longo prazo. Indubitavelmente, a lei sancionada em 2019, que libera a internação compulsória sem que haja uma ordem judicial para isso, foi uma medida agressiva para tentar solucionar um problema que deveria ser tratado como questão de saúde pública e ademais, atentar-se a prevenir a entrada de indivíduos no mundo das drogas e ajudar na ressocialização dos usuários. Por isso, é, na maioria das vezes, difícil saber se essa internação involuntária funcionará para determinado paciente, visto que a situação dele após a saída é imprevisível se não houver uma assistência.

Além disso, é importante salientar que há uma glamourização, por parte da população, do uso de drogas. Sem dúvidas, a evolução tecnológica ajudou para uma alta taxa de compartilhamento de ideias de fácil acesso nas redes sociais, o que faz com que vários jovens tenham a possibilidade de encontrar ideais que idealizam o uso de entorpecentes, sem mostrar as consequências da vida de um viciado. Isso não só aumenta a taxa de usuários e consequentemente, de mortalidade - 30% associada ao crack de acordo com pesquisas feitas pela UNIFESP - como também aumenta a taxa de moradores de rua e de violência. Dessa forma, é inadmissível que o Brasil, promulgador da Constituição Federal de 1988, não tenha um projeto que realmente funcione acerca do combate ao crack e outras drogas.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para diminuir e, a longo prazo, combater a epidemia de crack. Por isso, cabe ao Ministério da Educação (MEC) aperfeiçoar as campanhas em escolas e universidades sobre as drogas e suas consequências, por meio de parcerias com meios de comunicação para que haja mais propagandas nas televisões, rádios e redes sociais, para alcançar e alertar a maior parte da população, a fim de solucionar esse entrave na nossa sociedade. Ademais, o Governo Federal deve investir em políticas que visam a saúde pública, por meio de novas leis que assistam dependentes químicos durante e após a internação. Espera-se, com isso, uma sociedade mais saudável e harmônica.