Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 04/11/2021

“E no meio do caminho, da educação havia uma pedra, havia uma pedra no meio do caminho”; o trecho da canção do rapper Criolo usa o poema de Carlos Drummond de Andrade para fazer uma alusão ao uso de crack entre os brasileiros. Sob essa ótica vê-se que o uso e dependência da droga funciona como um obstáculo para o desenvolvimento social e educacional do indivíduo. É prudente apontar, diante disso que caminhos para combater a epidemia de crack precisam ser encontrados, em especial no Brasil, por razões que se dizem respeito tanto a sociedade quanto as leis.

A princípio, é lícito destacar que a dependência química resulta no afastamento social e cria uma barreira para o desenvolvimento pessoal. Foi nessa perspectiva que surgiu o anti-hedonismo na Idade Média, o qual foi contra os valores hedônico, crença que pauta a vida nos prazeres naturais. Dessa forma, evidencia-se que embora a droga possa proporcionar uma satisfação momentânea, essa também trabalha impedindo o desenvolvimentos demais áreas pessoais, como por exemplo educacional, familiar e cognitiva, exemplificando um motivo do anti-hedonismo.

Em segundo lugar, é oportuno comentar que cenário pandêmico supracitado remete ao descaso governamental. Isso porque a Constituição Federal, em seu artigo 6º, é clara em caracterizar a saúde como um direito à todos, concebido com absoluta prioridade do Estado. Contudo, é desanimador notar que tal diretriz não dá sinais de plena execução, e para provar isso, Ivone Ponzek, diretora do NEPAD, núcleo de estudo e pesquisa em atenção as drogas, ressalta o pequeno número de instituições de reabilitação. Vê-se então, o perigo da norma apresentada findar em desuso, sob pena de confirmar o que propunha Dante Alighieri, em “A divina comédia”: “As leis existem, mas quem as aplica?”. Esse cenário certamente, configura-se como desagregador e não pode ser negligenciado.

Por fim, caminhos devem ser elucionados para que se solucione a questão do crack, levando em consideração as questões sociais e legislastivas abordadas. Sendo assim, cabe ao Governo Federal, órgão responsável lê-lo bem estar e saúde da população, elaborar um plano nacional de combate ao uso de drogas. Isso pode ser feito por meio da melhor distribuição de verbas ao Ministério da Saúde, para que seja possível a instalação de novos instituto de reabilitação. Dessa forma, o crack não será mais uma “pedra” no caminho dos brasileiros, e poderá ser, enfim, garantido o direito como conta o artigo 6º da Constituição