Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 15/11/2021

A música “Ilusão”, cuja composição envolveu a participação de diversos cantores de ‘funk’ das periferias brasileiras, traz em sua letra um apelo quanto aos prejuízos oriundos do experimento às drogas que, pela sensação momentânea de prazer ofertada, influencia ao vício, posteriormente. Análogo à perspectiva da canção, o cenário da hodiernidade brasileira denota um preocupante aumento no número de indivíduos acometidos pela dependência em entorpecentes, como o crack, o que configura um revés de consideráveis proporções. É preciso analisar, pois, que o dilema possui sua gênese atrelada à displicência familiar e governamental.

A priori, é oportuno mencionar como a negligência familiar corrobora a problemática em questão. Sob esse viés, o autor Walcir Carrasco em sua obra “Vida de Droga”, conta o drama da personagem principal, que encontra nas drogas uma espécie de refúgio após passar por episódios traumáticos e não obter o apoio familiar e psicológico necessário para enfrentar seus anseios e dilemas. Outrossim, fora da ficção, em uma reportagem feita pelo jornal O Globo, vários usuários que residem na região da “cracolândia”, em São Paulo, foram convidados a relatarem suas trajetórias até o momento em questão — em situação de rua — e diversas histórias continham um viés de não aceitação familiar por questões de orientação sexual e similares, nas quais a apatia constituiu-se como crucial para desencadear nesses indivíduos a necessidade de “fuga da realidade”.

Sob um segundo olhar, insta salientar a omissão governamental como elemento propulsor do imbróglio. Nesse quesito, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia que é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda a coletividade. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura observada, uma vez que as autoridades governamentais permanecem omissas no que se refere à criação de mais centros de tratamento especializado para os dependentes do crack e das demais substancias nocivas, que levam o indivíduo a perca de suas capacidades cognitivas e, por conseguinte, o nega direito à dignidade. Logo, não é justo que a máquina pública protagonize — com sua ausência de dever — a manifestação do problema.

Em suma, para combater a epidemia de crack que assola a sociedade brasileira, urge que o Ministério da Saúde, através da ampliação da construção de centros de reabilitação, aumente a capacidade de internação, de modo a comportar um maior número de indivíduos e, também, melhore a qualidade de atendimento desses. Além disso, o Ministério da Ação Social deve mobilizar debates com pais e responsáveis, periodicamente, para direcionar famílias que enfrentarem crises na criação e educação dos jovens. Espera-se, com tais medidas, distanciar-se do cenário abordado na letra de “Ilusão”.