Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 23/08/2022

As diversas faces do vício em crack

O uso de substâncias psicoativas certamente está presente desde os primórdios da humanidade, ora de forma cultural ora de maneira medicinal. Só para ilustrar, os povos pré-colombianos usavam algumas plantas alucinógenas em seus rituais religiosos e nos processos medicinais. Desse modo, com o avanço das sociedades humanas e o fenômeno da globalização, os narcóticos tornaram-se meros produtos do capitalismo. Como resultado, o Brasil vem enfrentando um aumento no número de usuários de crack, entretanto, o combate a esta epidemia é inviável visto que boa parte da sociedade brasileira se encontra em vulnerabilidade social.

Sob o mesmo ponto de vista, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) cerca de 85% dos usuários de crack são oriundos de classes sociais baixas, e fatores como a carência no sistema educacional, o desemprego e a desigualdade socioeconômica influenciam na busca por drogas ilícitas pois intensificam a marginalidade. Ademais, segundo dados divulgados pela Fiocruz metade dos usuários de crack do país estão no Nordeste, à proporção que esta é a região com o pior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil – cerca de 0,58 – evidenciando que o uso de drogas e a desigualdade social caminham juntos.

Destarte, a novela “Verdades Secretas”, do autor Walcyr Carrasco, retrata o modo em que o vício em crack pode destruir a vida de quem o consome. Só para exemplificar, a personagem Larissa passa a utilizar a droga após enfrentar dificuldade em encontrar trabalhos como modelo e ser pressionada por sua família para obter dinheiro. Portanto, não só as condições sociais e econômicas influenciam no vício, mas também o ambiente familiar e as condições psicológicas.

Em suma, o combate à dependência química no Brasil é uma tarefa árdua em virtude das discrepâncias sociais enfrentadas pela população. Por isso, o Ministério da Saúde (MS) em conjunto com as Secretarias Municipais de Saúde deve usar pelo menos 6% das verbas destinadas ao SUS em uma política de redução de danos de tal forma que distribua uma espécie de “Kit Crack”, doe preservativos e vincule os usuários em hospitais públicos para a realização de exames periódicos. Também é de extrema importância campanhas de conscientização na grande mídia.