Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil
Enviada em 20/09/2022
Na séria norte-americana “Euphoria”, a personagem Rue utiliza das drogas como meio de lidar com as dores da sua realidade, causando ainda mais caos na sua vivência. No cenário brasileiro vigente, muitos cidadãos enfrentam, de forma parecida a Rue, a epidemia de crack. Assim como a personagem, estes são vítimas de suas realidades, como a criminalização e estigmatização da droga, se vendo abandonados pela sociedade e pelo governo.
Antes de tudo, há de se pôr a luz o cenário que originou a problemática do crack no Brasil. No documentário estadunidense “A 13ª Emenda”, articula-se como o crack e a sua criminalização foram utilizadas como projeto político de extermínio da população afrodescendente e pobre da década de 70, alastrando-se também por toda a América Latina. Já que, sendo de baixo custo, seu acesso é facilitado pelas camadas sociais mais vulneráveis, e, ao aliar-se com o estigma da sociedade sobre o usuário de droga, a criminalização é fatal. De acordo com dados da UNIFESP, mais da metade das mortes dos usuários da droga advinada da cocaína são fruto de combate contra traficantes e policiais, escancarando o papel de vítima que esses usuários assumem na narrativa epidêmica hodierna.
Seguindo o cenário de estigmatização, o filme nacional “Nise, o coração da loucura” expressa como a criminalização e desumanização são completamente ineficazes como caminhos de combate. Exibindo como a mudança de abordagem, abandonando a violência e assumindo que a questão era de saúde pública, foi vital no combate à doenças mentais, também se enquadrando nesse caso a dependência em drogas. Assim, fica claro como a negação de tratamento adequado pelo governo é inaceitável contra a epidemia de crack.
Dessa forma, conclui-se que a criminalização e estigmatização do usuário de drogas são a raíz da problemática em análise. Causando a morte em massa da camada preta e pobre da sociedade brasileira. Sendo assim, cabe ao governo federal o investimento em políticas de saúde pública que tenham o foco em ressocializar usuários de crack e outras drogas nas camadas negras e classe baixa do Brasil, além de lutar, através da mídia, contra o estigma que essa questão carrega. Esses são os caminhos para salvar todos aqueles que são como Rue.