Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 05/03/2024

A cinematografia brasileira “Bicho de sete cabeças”, lançada em 2000, retrata a marginalização sofrida pelos usuários de crack no Brasil e a política desumanizada contra a utilização da droga, cuja intervenção consiste na internação obrigatória de dependentes desde o período que precede a reforma psiquiátrica até os dias atuais. Nesse viés, é indubitável que o modelo para combater a epidemia de crack evidencia a negligência estatal no que tange o vício e a saúde mental dos indivíduos, além de ser inadequado, pois os usuários necessitam de amparo do sistema de saúde brasileiro.

Em primeira análise, é verossímil a ineficiência do Estado sobre a problemática, tendo em vista que, no Brasil, os dependentes químicos são isolados da sociedade e abandonados. A respeito disso, um exemplo da falta de políticas públicas foi o Hospital Colônia, manicômio em Barbacena fundado no século XX, cujos pacientes eram mantidos em cárcere e a crueldade não era notada pelo governo brasileiro.

Outrossim, é inconveniente que hajam parcos tratamentos acolhedores e humanizados, livres de violência, para os usuários. A abordagem contra esse grupo não oferece recursos terapêuticos, destacando a marginalização acometida aos indivíduos.

Depreende-se, portanto, que é crucial combater não só a epidemia de crack, mas também o passado cruel dos pacientes do Hospital Colônia que insiste em se repetir. Em suma, faz-se necessário o Ministério da Saúde expandir o acesso aos CAPS (Centros de Reabilitação Psicossociais) e aos serviços de ressocialização oferecidos pelas unidades, investindo em estratégias de comunicação e divulgação de recursos usufruindo do alcance das redes sociais e dos anúncios publicados em áreas aparentes, atraindo aqueles que precisam de amparo. Deste modo, é possível enfrentar a problemática de maneira humanizada.