Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil
Enviada em 01/04/2024
A cinematografia brasileira “Bicho de sete cabeças”, lançada em 2000, retrata a marginalização sofrida pelos usuários de crack e a poítica desumanizada contra a utilização da droga. Na conjuntura vigente, a realidade enfrentada pelos depen–
dentes químicos é similar à obra e evidencia a negligência estatal e social no que tange o vício e a saúde mental dos indivíduos. Nesse viés, é indubitável que o mo–delo para combater a epidemia de crack é inadequado e precisa de mudanças, pois ainda faz apologia ao passado cruel que antecede a reforma psiquiátrica, e os usuários necessitam de amparo do sistema de saúde brasileiro.
Em primeira análise, é verossímil a ineficiência do Estado sobre a problemática, tendo em vista que, no Brasil, as intervenções são investidas contra os dependen– tes - como abordagens policiais violentas -, e não contra a droga. Ademais, quan–do há tratamento para esses usuários, consiste em isolamento da sociedade e in– ternação forçada. A respeito disso, um exemplo da falta de políticas públicas foi o caso conhecido como holocausto brasileiro, ocorrido no Hospital Colônia, mani– cômio em Barbacena fundado no século XX, cujos pacientes eram mantidos em cárcere e a crueldade era negligenciada pelo governo.
Em segunda análise, é evidente que o estigma acerca do tema contribui para a inabilidade da família em lidar com comportamentos dos dependentes, e como consequência acarreta o abandono familiar. Conforme pesquisa realizada pelo município do Rio de Janeiro em 2023, 86,1% das pessoas em situação de rua são dependentes químicos, e não possuem apoio ou estruturas sociais para supera–rem o vício.
Depreende-se, portanto, que é crucial implementar medidas responsáveis e que contribuem para o exercício da cidadania ao tratar a epidemia de crack. Em vista disso, cabe ao Governo Federal, por meio da elaboração de projetos pedagógicos acerca do tema em questão, informar sobre os danos da droga e sobre a impor– tância da inclusão dos usuários na sociedade e, sobretudo, estabelecer proga– mas de reabilitação em centros de concentração de dependentes, democratizan– do o acesso aos serviços de saúde vigentes. Dessa forma, haverá sucesso no combate à epidemia de crack.