Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil

Enviada em 13/03/2025

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a dependência química como uma doença crônica, oriunda da repetição do uso de substâncias com potencial de alterar o estado mental de um indíviduo. O crack, é uma substância derivada da cocaína, com potencial de provocar no usuário uma sensação de poder e euforia incomparáveis e conhecida por ser altamente viciante. Apesar de doença, o vicio em crack vem sendo tratado como questão de caráter e o doente, marginalizado.

No Brasil, mais de 1 milhão de pessoas já fez uso de crack pelo menos uma vez na vida, conforme o apurado pelo 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas promovido pela Fundação Oswaldo Cruz em 2015. Em São Paulo, está concentrada a maior “cracolândia” do país, nome dado a região onde diversos usuários de crack se aglomeram em condições degradantes para fazerem uso da substância, em média 400 pessoas se aglomeram na região, em cada período do dia, sendo a área marcada por insegurança e violência.

A sociedade se enoja da “sujeira” da cracolândia, é preferível não enxergar, e assim o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, se sente confortável em propor um “muro” em volta da cracolândia, transformando a região em uma Varsóvia dos dias atuais, onde a solução final muito provavelmente é a internação compulsória, aceita por 8 em cada 10 brasileiros que querem se ver livre dos “cracudos”, conforme pesquisa realizada pelo datafolha.

A segregação não é a resposta para qualquer mazela social. O dependente químico é um cidadão de direitos e que precisa ter sua dignidade preservada e respeitada. A internação compulsória nada mais é do que uma violação ao direito de ir e vir preconizado pela CFRB/88, bem como do princípio da dignidade humana. Para que a epidemia de crack começe a regredir, faz-se necessário que os governos federal, estadual e municipal invistam em campanhas de redução de danos, visando a conscientação do usuário e a compreensão por parte deste da sua condição de saúde; fortalecimento dos recursos destinados aos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS e investimento em centros especializados de tratamento a dependentes, afinal de contas, doença deve ser tratada e não punida.