Caminhos para combater a falta de moradias no Brasil

Enviada em 17/08/2025

A Constituição de 88 estabelece a moradia como um direito social fundamental. Entretanto, no Brasil contemporâneo, a realidade é marcada por um déficit habitacional de milhões de pessoas revelando uma contradição entre o que está previsto na legislação e o que se concretiza no cotidiano. Contradição derivada da desigualdade socioeconômica e a ineficiência das políticas públicas habitacionais.

Em primeira análise, a concentração de renda no país é um dos principais responsáveis pela perpetuação da falta de moradias adequadas. De acordo com Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional brasileiro ultrapassa os 5 milhões de residências, evidenciando que grande parte da população não dispõe de condições financeiras para acessar imóveis no mercado formal. Nesse sentido, a teoria marxista sobre a luta de classes mostra-se pertinente, uma vez que a apropriação desigual dos recursos produz desigualdades estruturais que se refletem na habitação. Logo, enquanto não houver uma redução da disparidade econômica, milhões de cidadãos continuarão excluídos do direito constitucional à moradia.

Ademais, a insuficiência e a descontinuidade de programas governamentais agravam o problema habitacional. Embora iniciativas como o “Minha Casa, Minha Vida” tenham contribuído para reduzir parcialmente o déficit, a falta de planejamento urbano e a construção de residências em áreas periféricas, distantes dos centros de emprego e serviços, geraram segregação espacial. Nesse sentido, a análise do sociólogo Milton Santos ajuda a compreender que a questão habitacional vai além da simples construção de casas, exigindo políticas integradas que considerem transporte, saneamento e infraestrutura. Portanto, torna-se imprescindível um planejamento habitacional articulado.

Diante do exposto, conclui-se que a falta de moradias no Brasil decorre tanto das desigualdades socioeconômicas quanto da fragilidade das políticas públicas habitacionais. Para reverter esse quadro, o Governo Federal, em parceria com estados e municípios, deve ampliar programas habitacionais com foco em famílias de baixa renda, assegurando financiamento subsidiado e acesso simplificado, por meio da Caixa Econômica Federal. Além disso, é necessário implementar políticas de urbanização integrada, para evitar a segregação espacial.