Caminhos para combater a falta de moradias no Brasil
Enviada em 23/10/2025
O livro “Quarto de Despejo”, da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, narra o cotidiano de miséria e exclusão na favela. No entanto, no cenário atual, quando se trata da falta de moradias, entende-se que o Estado ainda é precário em ações, na medida em que não disponibiliza recursos para minimizar os impactos, bem como a indústria midiática, a qual tem papel fundamental na difusão de alertas e conscientização. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tais posturas negligentes para a sociedade.
Em primeira análise, a ineficiência estatal prevalece. Isso porque, embora existam leis e políticas públicas que asseguram direitos fundamentais, como os previstos no artigo 6° da Constituição Federal, que inclui o direito à moradia como garantia básica, a efetividade dessas medidas ainda é limitada. Essa ineficiência revela-se, por exemplo, na falta de fiscalização ou investimento em programas que combatam a especulação imobiliária, uma vez que esta eleva o preço dos terrenos e expulsa a população de baixa renda para áreas periféricas e de risco. Desse modo, a distância entre a teoria e a prática impede o acesso pleno aos direitos.
Outrossim, a influência midiática é um impasse para a solução. O filme “Show de Truman” (1998) ilustra a manipulação da vida pela mídia para entretenimento, o que leva à alienação. Essa lógica mercadológica se manifesta na associação das áreas de moradia precária (como favelas e ocupações) apenas à violência e ao crime, o que oculta a necessidade de políticas de urbanização e saneamento básico. Nesse contexto, ao priorizar o sensacionalismo, a mídia acaba reforçando estigmas e reduzindo o espaço para discussões construtivas. Assim, o veículo de informação, que deveria atuar como instrumento de conscientização, muitas vezes se torna fator agravante da questão.
Depreende-se, portanto, a urgência de novas medidas para reverter o impasse. Para isso, a mídia, em parceria com o Ministério das Cidades, profissionais e a comunidade, deve desenvolver projetos de informação e conscientização por meio de campanhas e reportagens educativas, visando ampliar o acesso à informação e o bem-estar coletivo.