Caminhos para combater a falta de moradias no Brasil

Enviada em 05/11/2025

Na obra O Povo Brasileiro, o antropólogo Darcy Ribeiro analisa a formação histórica do país e demonstra como a trajetória social e política do Brasil produziu desafios estruturais que comprometem o avanço nacional. Ainda hoje, esse legado persiste, e a dificuldade no combate à falta de moradias no Brasil constitui um entrave ao desenvolvimento pleno da nação, visto que o acesso à moradia é fundamental a todos os residentes do país. Essa problemática decorre, sobretudo, do descaso governamental e da negligência social.

Sob esse viés, o filósofo Nicolau Maquiavel afirma que os governantes tendem a orientar suas decisões pela lógica da manutenção do poder, relegando o bem comum a segundo plano. Nessa lógica de autopreservação, recursos voltados à atenção à população marginalizada tornam-se escassos, já que políticas dessa natureza não geram retorno eleitoral imediato. Além disso, interesses econômicos de grupos privilegiados pressionam o Estado a priorizar demandas lucrativas, deixando em segundo plano políticas de redistribuição de residências desocupadas, que poderiam gerar melhorias duradouras no país. Desse modo, a ausência de participação governamental leva à precarização de direitos triviais à população.

Ademais, a omissão social intensifica o cenário. A filósofa Hannah Arendt, ao tratar da “banalidade do mal”, explica que problemas se perpetuam quando a população aceita injustiças como naturais. Assim, grande parte da sociedade encara a população em situação de rua com indiferença, o que reduz debates e enfraquece a cobrança por mudanças. Essa passividade, alimentada por veículos midiáticos que evitam compartilhar a realidade do país e por uma sociedade que promove o estigma às populações vulneráveis, legitima a continuidade da injustiça e banaliza os caminhos para combater a falta de moradias no Brasil.