Caminhos para combater a violência obstétrica no Brasil
Enviada em 25/11/2025
Embora o parto seja uma experiência que deveria priorizar cuidado e respeito, muitas mulheres brasileiras enfrentam situações de abuso físico, psicológico e negligência durante o atendimento médico. Esse fenômeno, conhecido como violência obstétrica, atinge milhares de gestantes, segundo dados da Fundação Perseu Abramo, que indica que uma em cada quatro brasileiras já sofreu alguma forma de agressão nesse contexto. Esse quadro revela um grave problema de desrespeito à dignidade feminina e de falhas no sistema de saúde.
A autora Simone de Beauvoir, em O Segundo Sexo, afirma que a sociedade historicamente reduz a mulher a um corpo controlado e subordinado. Tal lógica se reflete no cenário obstétrico brasileiro, no qual muitas gestantes são submetidas a procedimentos sem consentimento, insultos, intervenções desnecessárias e ausência de analgesia. A precariedade do atendimento médico em hospitais públicos, a falta de informação às gestantes e a naturalização de práticas violentas reforçam uma cultura que transforma o parto em um ambiente de dor, medo e violência institucionalizada.
Diante desse panorama, o combate à violência obstétrica requer medidas educativas, profissionais e estruturais. É fundamental que universidades e hospitais ofereçam formação humanizada aos profissionais da saúde, priorizando o respeito ao corpo e às decisões da gestante. Além disso, o Estado deve ampliar campanhas informativas para que mulheres conheçam seus direitos no parto, incentivando o plano de parto e a presença de acompanhantes. A fiscalização sobre hospitais e maternidades também deve ser intensificada, punindo práticas abusivas e estimulando boas condutas.
Portanto, o Governo Federal, por meio dos Ministérios da Saúde e da Mulher, deve criar protocolos obrigatórios de parto humanizado, fiscalizar unidades de saúde e divulgar campanhas educativas que informem gestantes sobre seus direitos, enquanto universidades e hospitais capacitam seus profissionais. Assim, o parto deixará de ser um espaço de violência e se tornará uma experiência de cuidado, autonomia e respeito à vida.