Caminhos para combater a violência obstétrica no Brasil

Enviada em 09/06/2026

A violência obstétrica é caracterizada por procedimentos prejudiciais à saúde da mulher durante o parto, sendo esses ações que desconsideram as vontades dessa gestante e violam seu corpo. Nesse sentido, é inaceitável que o Brasil ainda enfrente casos dessa forma de agressão. Logo, tal problemática persiste no corpo social devido ao machismo estrutural e à desinformação.

Em primeiro plano, o sexismo colabora na manutenção da questão. Partindo dessa lógica, o filósofo Pierre Bourdieu criou a teoria da violência simbólica, afirmando que gestos sutis de agressão são utilizados para manter o controle de um determinado grupo sob o outro. Portanto, a reflexão do pensador condiz com a ideia de que a misoginia está atrelada aos maus-tratos sofridos durante o nascimento, uma vez que essa crueldade não pode ser impedida pela vítima, e faz com que essa se submeta forçadamente às vontades dos médicos — majoritariamente homens — que estão guiando a parturição

Outrossim, a falta de informações sobre a parição reforça o problema. Dentro dessa análise, a escritora francesa Simone de Beauvoir trouxe a reflexão acerca de como os papéis de gênero condicionam o comportamento mulheril na sociedade, assim como a maneira que os indivíduos do sexo feminino são tratados. Sob esse prisma, é inerente do desenvolvimento da população ocidental o menosprezo por tudo que é atrelado às mulheres, e isso faz com que as cidadãs se tornem alheias ao que corresponde a sua integridade física. Dessa forma, a falta de educação sobre o que diz respeito ao sexo biológico feminino condiciona as gestantes a serem prejudicadas por essa prática desdenhosa.

Em suma, a violência obstétrica ocorre por causa do machismo estrutural e da desinformação. Por isso, é dever do Ministério da Saúde promover o parto humanitário — prática que respeita o tempo e os limites da mulher, ouvindo e acolhendo suas necessidades específicas — por meio do treinamento dos profissionais da saúde responsáveis por conduzir a concepção a fim de reduzir os casos dessa brutalidade. Ademais, o mesmo órgão público deve educar a população sobre o assunto via campanhas publicitárias para assegurar a proteção da mulher durante o parto.