Caminhos para combater a violência obstétrica no Brasil

Enviada em 26/08/2024

“Manter a memória para que a história não se repita.” Esta foi a frase dita por Dilma Rousseff, ex-presidenta do Brasil, no memorial dos 60 anos da Ditadura Cívico-Militar. Dilma, vítima de agressões durante o período ditatorial, nos ajuda a entender a gravidade dos abusos contra as mulheres. Esses abusos afetam também mulheres em situações vulneráveis, como no parto. Dessa forma, é de extrema importância compreender que o machismo estrutural e a negligência estatal fazem parte da história brasileira e são motivadores desses abusos.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o Brasil, desde o início, foi uma colônia patriarcal. Sendo assim, o machismo é uma das características estruturais presentes na formação do país. O machismo se perpetua de diversas formas, mas, entre elas, o abuso é uma das mais cruéis, afetando fisicamente e psicologicamente as vítimas. No parto, por exemplo, diversas mulheres relatam sofrer pressões psicológicas por parte de médicos e enfermeiros, ou até mesmo toques inapropriados, de acordo com o portal de notícias G1.

Ao analisar notas de hospitais que registram queixas de violência obstétrica, é evidente a ausência de devida atenção às vítimas, visto que declarações como ‘O hospital desconhece a queixa…’ e ‘Não fomos informados sobre a denúncia…’ são comuns. É notável, também, o despreparo de profissionais para atender aos direitos constitucionais dessas mulheres, uma vez que a lei garante pelo menos um acompanhante durante o parto, um direito frequentemente não respeitado.

Para que o combate à violência obstétrica seja eficaz, é fundamental promover campanhas de conscientização para sensibilizar a sociedade sobre o problema e estimular mudanças culturais e institucionais, com a responsabilidade dos órgãos de Saúde e Educação, como os ministérios. É igualmente importante oferecer apoio às vítimas, com centros de reabilitação e postos de denúncia eficazes, além de assegurar a responsabilização dos abusadores e hospitais cúmplices. Com essas medidas, poderemos evitar que muitas mulheres passem por situações semelhantes às enfrentadas por Dilma.