Caminhos para combater a violência obstétrica no Brasil

Enviada em 28/08/2024

Segundo o filósofo Jean-Paul Sarte, a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Dito isso, é evidente que não há a elaboração de caminhos para combater a violência obstétrica no Brasil. Dessa maneira, dois fatores corroboram para sua perpetuação: a negligência governamental e a letargia social. Logo, urge a alteração desse quadro.

A princípio, convém analisar o quanto que a morosidade estatal agrava a violência obstétrica. Para comprovar, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, afirma que algumas intituições -dentre elas o Estado- perderam sua função social, mas conservaram sua forma a qualquer custo e se configuram como instituição zumbi. Diante disso, é visível que o Estado falha em implementar e fiscalizar políticas adequadas de saúde e não assegurar mecanismos de denúncia e proteção para as gestantes.

Ademais, é imprescíndivel mencionar a naturalização social no que se refere à irresponsabilidade e imprudências cometidas na obstetrícia. Para exemplificar, há a tese de violência simbólica do sociólogo Pierre Bordieu, o qual analisa as diversas formas de ações violentas e como essas são vistas de maneira normal. Isso explica o por que que muitas mulheres que muitas mulheres são silenciadas e não ouvidas pela sociedade, ocasionando, assim, o aumento de agressões obstétricas.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esse entrave. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde -define políticas e diretrizes para a saúde materna- elabore e fiscalize políticas públicas voltadas para as gestantes através da implementação de mecanismos de denúncias -como aplicativos móveis específicos para reportar abusos- com o intuito de assegurar a proteção de mulheres gestantes. Além disso, é necessário que as escolas e universidades promovam debates amplos e constantes acerca dos maléficios de banalizar a violência obstétrica, afim de mostrar aos indivíduos a importância de modificar a realidade vivenciada por essas pessoas. Feito isso, a sociedade distanciar-se-á do conceito de “violência simbólica”.