Caminhos para combater a violência obstétrica no Brasil
Enviada em 03/11/2024
Na série norte-americana “Grey’s Anatomy” é retratada a negligência médica vivenciada por uma mulher no trabalho de parto, que foi a óbito após não ter recebido o atendimento adequado. Analogamente à obra, é notório que a violência obstétrica, caracterizada por ações violentas e desrespeitosas contra mulheres por parte de profissionais de saúde durante o parto, é frequente na conjuntura atual nacional. Esse desvio na saúde obstétrica é agravado por diversos fatores, como a desumanização da mulher no parto e a falta de investimento no setor de saúde.
Diante desse cenário, é importante analisar o impacto gerado pela desumanização da mulher grávida na sociedade brasileira. Nesse sentido, é possível fazer uma comparação com a sociedade egípcia da antiguidade, que, em sua mitologia, possuía a Deusa Bastet, protetora de mulheres em trabalho de parto, demonstrando uma preocupação do povo com as gestantes. No entanto, na contemporaneidade, esse cuidado é ignorado por muitos médicos, que são negligentes com a dor da mulher, a qual se torna invisível nesse momento de vulnerabilidade em decorrência da sua desumanização pelo obstetra, de modo a tendenciar práticas de violência médica.
Ademais, deve-se salientar os riscos que a negligência governamental fornece ao sistema de saúde obstétrica. Esses perigos podem ser compreendidos a partir do pensamento do filósofo contratualista Thomas Hobbes, o qual afirma, em sua obra “O Leviatã”, que a principal função do Estado é assegurar o bem-estar dos cidadãos. Sob esse viés, entende-se que, o governo, ao não investir a renda necessária no setor de saúde obstétrica, impede que as cidadãs gestantes tenham seus direitos completamente garantidos, tendo em vista que a falta de recursos e profissionais em hospitais viabiliza a violência e o descaso obstétrico.
Portanto, é evidente a necessidade de medidas para combater a opressão contra mulheres durante o parto. Isto posto, cabe ao Ministério da Saúde, órgão público responsável por viabilizar condições para a proteção da saúde populacional, promover um maior investimento no setor obstétrico, por meio da capacitação de mais funcionários e fiscais de procedimento de parto, a fim de garantir que as gestantes recebam um tratamento médico eficaz.