Caminhos para combater a violência obstétrica no Brasil

Enviada em 18/01/2025

O sociólogo francês Pierre Bourdieu descreveu a “Violência Simbólica”, como uma agressão não física que se manifesta na diferença de poder entre os grupos sociais, na qual os que possuem mais poder e influência atuam como opressores. Em vista disso, é notória a idea de que as mulheres leigas sequer imaginam que sofrem uma violência silenciosa, que está disfarçada de ajuda e altruísmo em prol da vida. Na sequência, é necessário discutir a origem do problema e as consequências para as vítimas.

Nesse contexto, nota-se que a violência obstétrica no Brasil é causada pelo individualismo. Uma vez que, as mulheres grávidas confiam no diploma de desconhecidos, acreditando que a formação do médico escolhido foi feita com muito esforço, dedicação e amor à profissão e ao próximo, porém caso essa escolha seja errada, acaba por colocar a vida delas e de seus futuros filhos em risco. Desse modo, de acordo com o jornal G1 da Globo, ainda não há lei federal que defina a violência obstétrica, mantendo essas mulheres em risco e a própria sorte para encontrar um médico que seja empático e humano. Dessa forma, a falta de empatia do médico e a falta de punição cria um ciclo de violência infinito, na qual os responsáveis se mantêm impunes.

À vista disso, a afirmação da socióloga Djamila Ribeiro de que: “Para pensar soluções para uma realidade, devemos tirá-la da invisibilidade”, representa a omissão dos responsáveis pelos hospitais e do Ministério da Saúde. Outrossim, é importante que se atentar as possíveis consequências de continuar mantendo o problema esquecido, tais quais problemas adquiridas pelo recém-nascido, devido a violência do parto, como ossos quebrados e traumas cerebrais irreversíveis, assim como na mulher, por exemplo lacerações e hemorragias internas.

Portanto, é necessário intervir sobre o problema. Para isso, o Ministério da Saúde — responsável por garantir o direito à saúde da sociedade — deve atentar-se aos profissionais que não seguem as normas médicas necessárias. Mediante ao incentivo à denúncia, por parte das pacientes e seus parentes. Além de punir com a lei, por meio de multas ou até mesmo cassação do profissional. Com isso, espera-se uma amenização do problema.