Caminhos para combater o negacionismo científico no Brasil

Enviada em 07/06/2024

No início do século XX, o Brasil vivenciou um dos episódios mais marcantes de sua história sanitária: a Revolta da Vacina. Em meio a uma campanha de vacinação obrigatória contra a varíola, a população do Rio de Janeiro se insurgiu contra o governo, motivada por desinformação, medo e autoritarismo. Esse evento histórico revela que a resistência às intervenções científicas, muitas vezes alimentada pelo desconhecimento e pela desconfiança, não é um fenômeno recente. No contexto atual, o negacionismo científico persiste como um desafio a ser enfrentado, especialmente diante das crises de saúde pública. Portanto, discutir a pauta no contexto brasileiro e encontrar caminhos para solucioná-la.

A princípio, vale destacar a falta de acesso a uma educação conscientizadora como principal causa do desconhecimento. Segundo o pedagogo Paulo Freire, em sua crítica à educação tecnicista, as ins- tituições de ensino no país não visam conscientizar e desenvolver o pensamento crítico dos estu- dantes, mas sim apenas transmitir o conhecimento técnico. Seguindo essa ideia, esses alunos aca- bam por receber informações sem devidamente compreendê-las, chegando à idade adulta funcio- nalmente desinformados. Logo, é essencial a aplicação de medidas que promovam um ensino críti- co no país.

Outrossim, a desconfiança nas instituições, um fenômeno explorado por Zygmunt Bauman em ‘Modernidade Líquida’, é outra causa crucial da resistência informacional. Bauman observa que a instabilidade e a insegurança da modernidade líquida levam a uma crescente desconfiança nas autoridades e nas instituições tradicionais. No contexto brasileiro, a história de corrupção e falta de transparência agrava essa situação, minando a credibilidade das instituições científicas e fomentando o ceticismo em relação às suas recomendações. Portanto, é fundamental a execução de medidas que promovam uma maior comunicação e confiança entre as instituições e o povo, viabilizando um ambiente de maior aceitação e entendimento das políticas científicas e de saúde pública.

Diante dos fatos mencionados, tornam-se claras as causas dessa problemática e a necessidade de combatê-la. Cabe, portanto, às escolas -instituições responsáveis pela educação infanto-juvenil- a promoção de aulas que não só passem o conteúdo, mas desenvolvam a inteligência crítica dos alu- nos. Isso deve ser feito por meio meio do auxílio de professores preparados, que tenham a capacidade de ensinar o aluno a questionar as informações, à fim de mitigar a desinformação. Ademais, é necessário fortalecer os canais de comunicação entre governo e sociedade.