Caminhos para combater o negacionismo científico no Brasil

Enviada em 05/05/2024

Em 1904, com a epidemia de varíola na cidade do Rio de Janeiro, o governo decidiu instaurar uma campanha de vacinação obrigatória. No entanto, não foi transmitida à população qualquer tipo de informação acerca deste método de imunização, o que levou à chamada “Revolta da Vacina”. Já no atual cenário brasileiro, a falta de informação ainda contribui para o negacionismo científico, que propaga a alienação do povo e dificulta o combate a doenças no país.

A princípio, cabe destacar que a negação do conhecimento científico abre espaço para que as camadas populares sejam alienadas. No período da Inquisição, por exemplo, o astrônomo Galileu Galilei foi acusado de heresia pela Igreja por defender o heliocentrismo. Assim, ao condenar a busca pelo conhecimento científico, a autoridade eclesiástica obtinha um maior controle da população. De forma análoga, a situação se repete na contemporaneidade. Segundo dados de uma pesquisa de 2019 do Pew Research Center, o Brasil é o país onde menos pessoas acreditam na ciência. Com isso, na medida em que negam fatos comprovados cientificamente, os indivíduos se sujeitam à alienação.

Além disso, é pertinente ressaltar que a negação da ciência cria empecilhos para combater enfermidades. A título de exemplo, tem-se o fortalecimento de grupos antivacina na sociedade brasileira durante a pandemia da COVID-19. Na época, foram disseminadas diversas “fake news” acerca da vacina contra o vírus, em especial sobre “efeitos colaterais”, o que causou grande receio àqueles que não estavam bem informados. Dessa maneira, a partir do momento em que a população não confia em respaldos científicos, os métodos preventivos de doenças são descreditados, impedindo uma solução eficaz para o problema.

Portanto, é preciso que medidas sejam tomadas para combater a alienação e fortalecer a prevenção de doenças no país. Para que as pessoas confiem na veracidade do conhecimento científico, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o Ministério da Saúde, promova, por meio de campanhas em veículos de comunicação, campanhas publicitárias que propaguem informações científicas e incentivem a adesão a vacinas. Somente assim, será possível evitar a repetição de eventos como a Revolta da Vacina.