Caminhos para combater o negacionismo científico no Brasil

Enviada em 10/05/2024

O filósofo Thomas Mores, em sua obra “Utopia”, apresenta uma sociedade perfeita, caracterizada pela ausência de problemas sociais. No entanto, ao se analisar a conjuntura brasileira, vê-se uma oposição a essa ideia, já que o crescente movimento negacionista tem comprometido a harmonia coletiva nacional. Diante disso, tem-se um problema fomentado não só pelo precário ensino de ciências na formação escolar, mas também pela atuação massiva dos influenciadores chamados “good vibes”.

Inicialmente, constata-se o desserviço estatal como uma das causas do negacionismo científico. Isso porque o ensino de ciências ocupa pequena parcela do currículo escolar brasileiro. Sob esse viés, o filósofo Zygmunt Bauman, ao criar o conceito “Instituições Zumbis” descreveu, indiretamente, a omissão do Estado na formação de indivíduos críticos, mas que manteve a sua forma. Nessa ótica, tal perspectiva contribui com o obscurantismo intelectual, comprovado através dos movimentos anti-vacinas, por exemplo.

Ademais, ressalta-se o papel de algumas personalidades, conhecidos como “good vibes”, na disseminação de ideias contrárias a comunidade acadêmica. Nesse sentido, tal como descrito na obra literária “Ensaios sobre a cegueira”, de José Saramago, a sociedade brasileira encontra-se cognitivamente cega, acreditando nos disseminadores travestidos de bem-intencionados, mas que propagam posturas contra aqueles que estudam e desenvolvem trabalhos atrelados às sociedades científicas, conforme artigo da revista Studies in History and Philosophy of Sciencies. Assim, adotam posturas contra vacinas, medicamentos, efeitos de drogas e cigarros e etc.

Diante disso, fica evidente a necessidade de se combater o negacionismo científico. Para tanto, urge que o governo federal, através do Ministério da Educação e das secretarias estaduais e municipais, elevem a carga horária da disciplina de ciências, além de incluir as famílias em encontros bimestrais para discutir as consequências da oposição às verdades científicas na coletividade. Com isso, espera-se formar uma sociedade harmônica e cientificamente consciente.