Caminhos para combater o negacionismo científico no Brasil

Enviada em 16/05/2024

Em 2020, durante o início da pandemia de coronavírus, foi possível observar as proporções tomadas por teorias negacionistas, inicialmente com a rejeição do uso de máscaras e depois estendendo-se às campanhas de vacinação. O Brasil tem acompanhado um crescimente notório do negacionismo científico em seu território. Esse fenômeno se deve especialmente devido aos sérios déficits educacionais que assolam o país e a dificuldade de comunicação entre a comunidade científica e a sociedade brasileira.

Sob essa análise, é impossível não apontar os problemas presentes na educação nacional, de acordo com o IBGE, menos de 20% da população possui ensino superior completo e aproximadamente outros 20% não concluíram sequer a educação básica. A falta de escolaridade afeta diretamente a perspectiva das pessoas sobre a ciência e sua confiança nos resultados de pesquisas.

Além disso, a dificuldade para divulgação de informações e novidades científicas no Brasil é um fator que facilita o desenvolvimento de teorias conspiratórias. Essa aparente inacessibilidade é uma problemática antiga do país, um exemplo disso é a Revolta da Vacina, que ocorreu em 1904, decorrente da insatisfação popular com a campanha de vacinação obrigatória implantada por Oswaldo Cruz. Outro sinal da desconfiança crescente é a volta de doenças antes erradicadas, como o sarampo e a poliomielite, que tiveram um aumento de casos, segundo a OMS.

Por fim, é inegável a necessidade de mudança na relação entre a sociedade brasileira e a comunidade científica. O Ministério da Educação - órgão responsável por promover educação de qualidade no país - deve promover atividades relacionadas ao mundo da ciência desde o início do ciclo acadêmico e incentivar a divulgação científica com linguagem acessível, a fim de facilitar o entendimento da população. Dessa maneira, o negacionismo científico será consideravelmente combatido em nossa nação.