Caminhos para combater o negacionismo científico no Brasil
Enviada em 23/05/2024
O astronomo Galileu Galilei foi executado pois seus estudos levaram à descoberta do modelo heliocêntrico, que se opunha ao dogma católico da época. De maneira análoga ao fato histórico, a oposição à ciência perdura no Brasil contemporâneo sob a forma de negacionismo. Isso decorre de um senso comum construído com ausência de educação científica e gera consquências nefastas.
Nesse contexto, a construção da mentalidade popular sobre a ciência é marcada pela falta de instrução que evidencia uma falha no sistema educacional brasileiro. Acerca disso, Carl Sagan afirma em seu livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios” que o pensar científico é construido com ceticismo e imaginação, e nem sempre está de acordo com nossas expectativas, percepções individuais e senso comum. Dessa forma, para “pensar com um cientista” é necessário desconstruir ideias e “verdades” coletivas para a construção de um novo corpo de conhecimento, algo que deveria ser ensinado em todas as escolas. Entretanto, no cenário atual brasileiro, as instituições falham nesse papel, uma vez que não há critérios no compartilhamento de notícias falsas ou distorcidas, que criam tabus e desconfiança em relação ao conhecimento derivado de pesquisas de credibilidade.
Ademais, o negacionismo pode ocasionar eventos desastrosos, especialmente à saúde. Nesse sentido, o astrofísico Neil DeGresse Tyson afirma que a negar a ciência é optar por não entender a realidade como ela é. Sob este viés, constata-se a rejeição ao corpo de conhecimento científico por grande parcela da população brasileira impede o entendimento sobre sua importância. Dessa maneira, muitas pessoas deixam de se vacinar e vacinar seus filhos, ou mesmo param de realizar tratamentos clínicos essenciais a condições específicas em função de tratamentos alternativos, como aponta uma reportagem da BBC Brasil.
Portanto, urge a necessidade de intervenção estatal. Logo, cabe ao Ministério da Educação o reforço da educação científica. Tal medida deve contar com a ênfase (ampliação de carga horária e cobrança em testes) no ensino e revisão do método científico e sua aplicação nos diferentes níveis de escolaridade. Isso ajudará a desconstruir paradigmas e aumentar o entendimento sobre a ciência por parte da população brasileira.