Caminhos para combater o negacionismo científico no Brasil

Enviada em 28/05/2024

A partir do século XVIII, com a expansão do ideário iluminista, houve a valorização da razão como aparato de aferição da realidade - o que constituiu um avanço. Em contrapartida, percebe-se que, no Brasil hodierno, essa forma de análise sofre constantes ataques do negacionismo científico - conflito que caracteriza uma grave crise. Desse modo, a fim de combater esse impasse, deve-se apurar seus principais perpetuadores: o conforto da conclusão simplista e a ideologia capitalista.

Diante desse cenário, cabe afirmar que a comodidade proporcionada pela visão de mundo simplificada impulsiona a negação das explicações complexas. A respeito disso, observa-se, através da ótica da Psicologia, que o Homo sapiens tende a tomar como verdade aquilo que lhe parece óbvio - como acreditar que a Terra é plana por não visualizar a curvatura - mecanismo psíquico que sacia a sua consciência. Entretanto, ao confrontar suas crenças contra as evidências da ciência, o indivíduo é impelido a negar os fatos apresentados ou a metodologia que os obteve, uma vez que aceita-los pertubaria sua estabilidade intelectual. Assim, ocorre a configuração do modo de pensar negacionista.

Ademais, explicita-se que o ideal do modelo de produção prioriza os interesses financeiros em detrimento dos apontamentos científicos. Isso porque, segundo o livro “Fundamentos da Biologia Moderna”, o sistema econômico almeja o crescimento infinito - processo que não considera a capacidade de suporte do planeta. Nesse contexto, os cientistas, que alertam as contradições entre bem- -estar socioambiental e a exploração sem limites do capital, são descredibilizados pela mídia burguesa que modula a ideologia hegemônica. Dessa forma, o negacionismo voltado a questões ambientais ganha força.

Em suma, faz-se necessário buscar caminhos para combater o negacionismo no Brasil. Dito isso, é dever das instituições de ensino, responsáveis pela formação intelectual dos cidadãos, habituar os alunos ao modo de pensar científico, por meio de novas disciplinas escolares, objetivando ampliar a visão de mundo e a tolerância com os novos conhecimentos. Alem disso, cabe ao Estado, encarregado por mediar a relação do homem com a natureza, coibir as distorções científicas por parte da mídia, intuindo reduzir o negacionismo ambiental. Assim, a crise atenuará.