Caminhos para combater o negacionismo científico no Brasil

Enviada em 14/06/2024

Em 1904, a Revolta da Vacina foi causada pela falta de acesso à informação. Contudo, o movimento antivacina no Brasil contemporâneo tem uma origem diferente: ele se pauta no negacionismo científico. Isto é, o ato de negar verdades absolutas em pról de crenças particulares. Nesse contexto, para combatê-lo, é necessário partir da má influência midiática e da falta de responsabilidade social.

Deve-se destacar, primeiramente, que a atuação da mídia tem papel crucial na formação de opiniões. Nesse sentido, o filósofo Pierre Bourdieu explica que o capital simbólico, uma forma de violência, é utilizado como instrumento de persuasão. Desse modo, as massas são compelidas a acreditar naquilo que convém aos detentores desses meios, sem questionar a veracidade das informações.

Além disso, há a ausência de responsabilidade coletiva. Sob essa perspectiva, o conceito de modernidade líquida, proposto por Bauman, prevê a fluídez dos valores em função dos interesses pessoais. Nessa lógica, o individualismo acarreta a queda das atitudes éticas, pois as consequências para o outro não são analisadas. Como resultado, há a perpetuação de ideias falsas e nocivas, sem preocupação com a sociedade como um todo.

Portanto, para combater o negacionismo cientfício no Brasil, o Governo Federal precisa conscientizar a população acerca de seus malefícios. Por meio de campanhas, em parceria com canais autorizados, que tenham o objetivo de ilustrar as consequências dessa prática, como epidemias causadas pela descrença na vacinação. Assim, será possível reverter a fluídez da modernidade líquida de Bauman, através da retomada dos valores éticos.