Caminhos para combater o negacionismo científico no Brasil
Enviada em 29/10/2024
Desde a pandemia de Covid-19, em 2021, uma parcela da sociedade brasileira questiona os fatos científicos apresentados sobre a eficácia e a procedência das vacinas. Nesse sentido, evidencia-se o negacionismo científico como um fato atual e é importante encontrar caminhos para combatê-lo. Para isso, é fulcral entender as causas desse imbróglio: a omissão estatal e o pensamento coletivo social.
Primordialmente, é válido salientar que a negligência estatal é propulsora do problema. Sob esse viés, Thomas Hobbes afirma que o Estado é responsável por garantir o bem-estar social. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, pois a baixa qualidade da educação oferecida, que evidencia-se pela estrutura precária das escolas e pelo baixo salário dos professores, corrobora a permanência do negacionismo, visto que pela ausência de conhecimentos básicos sobre ciência o indivíduo pode ser enganado por falsos especialistas que manipulam a informação, sendo essa, de acordo com o site Prepara Enem, uma característica comum aos negacionistas. Assim, contrariando Hobbes, o Estado falha em mitigar o problema.
Além disso, a influência do pensamento coletivo de determinados grupos sociais impulsiona esse impasse. Nesse contexto, Durkheim define o fato social como uma consciência social coletiva que sobrepõe qualquer consciência individual. Dessa forma, pessoas que pertencem a determinados grupos sociais negacionistas tendem a reproduzir o comportamento coletivo sem questioná-los. Como exemplo, durante a pandemia de COVID-19, o presidente do Brasil negou publicamente a eficácia da vacina e afirmou que ao tomá-la transformaria-se em um jacaré. Como resultado, os seus apoiadores compartilharam essa informação falsa sem questionar a sua veracidade.
Portanto, urge que o Governo federal, como garantidor dos direitos individuais, por meio da criação do programa “Ciência Sim!”, invista mais verba na educação básica e promova palestras que estimulem o pensamento crítico dos cidadãos. Ademais, isso deverá ser feito com o intuito de aumentar o conhecimento das pessoas sobre ciência para que elas não sejam enganadas e, também, impulsionar a consciência individual do cidadão para que ele não seja influenciado negativamente pela sociedade, conforme as ideias de Durkheim.