Caminhos para combater os crimes de pedofilia na internet

Enviada em 25/07/2019

O documentário “A ira de um anjo” retrata as consequências psicológicas que o abuso sexual infantil pode gerar em uma criança. Nesse contexto, no que tange à questão da pedofilia virtual, percebe- se a configuração de um grave problema, em virtude de uma lacuna no papel da família, intensificada pela falta de denúncias.

Convém ressaltar, a princípio, que a formação familiar é um segmento desafiador sobre o problema. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, percebe-se uma lacuna no cuidado ao acesso de crianças à internet. Por vezes, os familiares não acompanham e orientam a navegação online das crianças, que ficam expostas à conteúdos e tipos de pessoas diversos, o que mostra-se como um desafio no combate ao problema.

Além disso, a pedofilia virtual encontra terra fértil na falta de denúncias. Sob essa lógica, o imperativo categórico, de Kant, preconiza que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. No entanto, no que tange à questão da pedofilia, especialmente na internet, há uma lacuna no dever moral quanto ao exercício da denúncia, que não acontece na grande maioria das vezes, silenciando o problema e o tornando mais desafiador.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para intervir na questão. Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Justiça em parceria com o Estatuto da Criança e do Adolescente divulguem amplamente os canais de denúncia, tanto via telefone, quanto online, por meio de publicações nas redes sociais e transmissões ao vivo, esclarecendo a importância da denúncia e a possibilidade de fazê-la anonimamente. Nessas transmissões, seria viável exemplificar casos de pedofilia que foram impedidos de continuar acontecendo pelo exercício da denúncia, a fim de superar o receio de denunciar que as famílias e a sociedade têm. Assim, possivelmente, casos como o do documentário fiquem no passado.