Caminhos para combater os crimes de pedofilia na internet

Enviada em 13/08/2019

O filme “Confiar” conta a história de Anie, uma garota de 16 anos que ganhou um computador de presente de aniversário e, tempo depois, começou a se envolver pela internet com Charlie, um adulto que se passava por jovem. Embora trata-se de uma ficção, essa é a realidade de muitas crianças que são vítimas de crime de pedofilia na internet e impasses como a falta de informação e o estigma sobre o pedófilo dificultam o combate dessas práticas. Urge, portanto, analisar tal cenário com o objetivo de identificar e atenuar esses problemas e seus impactos.

Em primeiro plano, com a grande acessibilidade às tecnologias, as crianças possuem um maior acesso ao mundo cibernético e isso necessita de um controle e de um direcionamento no uso. Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano, dado fornecido pela Organização das Nações Unidas, 56% da formação de uma pessoa vem da família, logo cabe aos pais dos indivíduos menores de 17 anos informá-los sobre os perigos na internet. Desse modo, essa parcela juvenil correrá menos riscos nesse ambiente virtual, pois saberá como se portar diante de outros usuários e alertar os familiares quando observarem comportamentos estranhos. Como consequência disso, o número de crianças e jovens que são persuadidos e expostos aos criminosos serão menores.

Ademais, mais do que alertar e educar a população púbere, deve-se tratar os pedófilos -que têm a pedofilia, um transtorno mental- e desconstruir o estigma de abusador que é imposta a eles. De acordo com o conceito de Habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade absorve e neutraliza uma estrutura que foi colocada à sua realidade, logo essa mentalidade de que quem tem a doença é um criminoso é errada. Desse modo, muitos pedófilos receiam pedir ajuda psicológica por conta desse julgamento social, mesmo nunca cometendo qualquer crime de abuso ou exploração sexual infantil. Em decorrência disso, essas pessoas podem encontrar no meio virtual um modo de satisfazer esse desejo e fantasia por essa população, o que corrobora com a persistência dos crimes em questão.

Portanto, é importante tomar medidas para instruir os jovens e ajudar os doentes. Logo, cabe ao Ministério da Saúde (MS), em parceria com as escolas, realizar palestras sobre tal tema -uma vez que essas informações serão passadas para os alunos e seus pais. Essa ação deve ser feita por meio de reuniões escolares ao longo do ano , com o objetivo de ensinar como utilizar a internet de forma consciente. Cabe também ao MS, junto com os Poderes Executivos Estaduais e Municipais, criar centros de apoio aos pedófilos, já que é preciso tratar essa parafilia. Essa atitude deve ser tomada via investimentos financeiros aos Poderes Executivos -que são responsáveis pelas construções-, com o fito de oferecer atendimento gratuito de psicólogos e psiquiatras para tratamento e evitar os crimes.