Caminhos para combater os crimes de pedofilia na internet

Enviada em 13/09/2019

Mazela orgânica

O sociólogo Émile Durkheim, ao retratar o conceito de sociedade, compara-a ao “corpo biológico”, no qual todas as partes são igualmente vitais ao perfeito funcionamento social. Nesse sentido, é fato que a constatação sociológica pode ser relacionada à Constituição Cidadã de 1988: de certo, a segurança pública é dever do Estado, mas também direito e responsabilidade de todos. Assim, é necessária a adoção de soluções integradas no combate à pedofilia na internet brasileira, tendo essa raízes na degradação das relações interpessoais e na banalização da erotização infantil.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função da volatilidade das interações humanas na contemporaneidade, a “modernidade líquida” corrobora malefícios à infância. O conceito do sociólogo Zygmunt Bauman, desse modo, evidencia a atitude parental hodierna perante a criação das novas gerações: gradativamente, a escassez de tempo aliada aos novos recursos tecnológicos configura o precário desenvolvimento das relações familiares no século XXI. Logo, com os adultos inseridos no mercado de trabalho e nos vícios que a tecnologia os proporciona, as crianças brasileiras tornam-se vulneráveis aos ataques cibernéticos de pedófilos.

Outrossim, presencia-se uma inversão pós-moderna dos valores tradicionais herdados. Nesse ínterim, com o advento da filosofia niilista, a sociedade passa a ter maior liberdade para realizar suas escolhas, abrindo espaço para a erotização infantil. Dessa maneira, observam-se casos atuais de exploração da criança e do adolescente em níveis midiáticos que agravam a construção comportamental coletiva. Por conseguinte, obtém-se o exemplo do cantor mirim de funk MC Doguinha, envolvido em denúncia do Ministério Público por conta do conteúdo sexual presente em suas canções. Assim, é desrespeitado o princípio constitucional de proteção à infância pelo déficit causado no desenvolvimento cognitivo sexual pela precoce exposição dessa.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para reverter o quadro. Para o estímulo ao aumento de denúncias e a diminuição dos casos de pedofilia virtual, urge que o Governo Federal crie, por meio de parcerias com setores midiáticos, campanhas de conscientização que visem evidenciar os perigos da exposição infantil aos recursos da internet sem supervisão dos responsáveis. Além disso, deve levar a campanha à níveis regionais na criação, junto ao Ministério da Educação (MEC), de projetos nas escolas do Brasil com palestras de profissionais da instituição, para que alerte-se a conduta necessária a ser tomada pelos alunos em caso de abusos cibernéticos. Somente com a integração funcional dos diversos órgãos vitais da sociedade mitiga-se tal mazela orgânica.