Caminhos para combater os crimes de pedofilia na internet
Enviada em 01/10/2019
No filme “Confiar”, é retratada a história de uma menina que é presenteada por seus pais com um computador no seu aniversário, ela utiliza-o para se comunicar com um novo amigo virtual. Nesse sentido, a narrativa foca nas interações virtuais com o suposto companheiro, o qual é bem mais velho do que deixa transparecer a ela. Quando marcam um encontro real, descobre-se que, na verdade, ele se trata de um estuprador. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pelo filme pode ser relacionada ao mundo real. A impunidade a pedófilos e a falta de acompanhamento familiar às ações das crianças na internet, criam ambientes propícios para que situações como essas ocorram.
Em primeiro lugar, apesar da existência de leis, elas não garantem que o abusador seja identificado e punido efetivamente. Quanto a essa questão, de acordo com dados do site Metropoles, a cada 11 minutos, um estupro é cometido no Brasil, mas apenas 1% dos agressores são punidos. Nesse contexto, apesar de não ser a única razão da impunidade, a população costuma não denunciar os agressores, por acharem que tal atitude é inútil, dificultando o processo de identificação. Segundo Immanuel Kant, o indivíduo deve agir segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. Desse modo, deve-se agir para haver mudanças concretas na sociedade.
Além disso, vale ressaltar que muitas crianças não são supervisionadas por um adulto no acesso à rede mundial de computadores. A respeito disso, segundo a empresa de software McAfee, 74% dos 1.301 pais e mães entrevistados admitiram não ter tempo e não saberem conferir o que os filhos fazem na internet. Dessa forma, os pequenos ficam à mercê dos perigos do ambiente virtual, sendo facilmente enganadas por pessoas mais velhas, pois os infantes têm menos discernimento sobre o que deve ou não ser feito, com quem conversar ou não. Por conseguinte, devido a essa exposição não supervisionada, os pedófilos agem com mais facilidade, se passando por pessoas mais novas ou com gostos parecidos aos das vítimas, persuadindo-as.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quado atual. Para que haja uma redução dos crimes de pedofilia, urge que o Ministério da Justiça e Segurança crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais e na televisão, sugerindo ao interlocutor que liguem para órgão públicos especializados, como o Conselho Tutelar, quando presenciarem atitudes suspeitas, e que passem a saber sempre o que as crianças estão procurando e com quem estão conversando na web. Somente assim, será possível diminuir o número de agressores impunes e, ademais, que a história apresentada em “Confiar” fique apenas no mundo ficcional.