Caminhos para combater os crimes de pedofilia na internet
Enviada em 23/10/2019
Na obra ‘‘o mundo de Sofia’’, do escritor Jostein Gaarder, apresenta-se uma protagonista de catorze anos que comunica-se secretamente com Alberto Knox, um homem de meia idade, que compromete-se em lhe explicar o mundo via correspondências filosóficas. Nesse contexto, é fato que o contato entre adultos e infantes facilitou-se com a ascensão da informática, instrumento utilizado para os crescentes casos de pedofilia virtual registrados no Brasil contemporâneo. Desse modo, a falta de engajamento familiar na vida das crianças e adolescentes, aliado à sensação de impunidade proporcionada pela internet, são ações responsáveis pelo desenvolvimento e expansão dos crimes cibernéticos.
Em primeiro momento, é valido salientar que 60% das vítimas de pedofilia na rede apresentavam de sete à treze anos de idade, afirma o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Nesse viés, observa-se que o acesso à internet e redes sociais inicia-se cada vez mais cedo. Além disso, a ausência de monitoramento pelos pais sobre o uso de computadores e celulares cria um ambiente propício às ações de pedófilos. A despeito disso, a criança e o pré-adolescente possuem capacidade de discernimento ainda incompleta, ou seja, são pouco capazes de identificar situações de perigo em que podem estar inseridos. Assim, o engajamento e controle dos pais é fundamental para a garantia de segurança de seus filhos online.
Ademais, como a ascensão da informática se deu de forma rápida, medidas responsáveis pela punição de crimes virtuais ainda é recente no país. Assim, o sentimento de impunidade é consequência do suposto ‘‘anonimato’’ em que os criminosos estão inseridos. Nesse sentido, de acordo com o filósofo John Locke, o homem é visto como um adulto que necessita de mediação quando ultrapassa os limites pré-estabelecidos naturalmente. Isto é, decretos punitivos e órgãos de proteção virtual devem ganhar ênfase no contexto social do século XX -repleto de novos modos de interação-, de forma que pedófilos sejam identificados e respondam legalmente por seus atos. Dessa forma, pode se criar um ambiente virtual mais seguro para todas as faixas-etárias.
Faz-se necessário, portanto, uma coesão entre escolas e Poder Legislativo para mitigar a problemática. Primeiramente, os professores da educação infantil devem promover reuniões com os pais de alunos, com o auxílio de psicólogos, pode-se informar sobre as medidas de controle online que devem ser tomadas para a proteção das crianças. Dessa maneira, capacitará-se os pais para evitar que seus filhos sejam alvos de pedofilia. Não obstante, cabe a Câmara Legislativa responsabilizar-se pela modernização da ‘‘arcaica’’ legislação, insuficiente para a definitiva proteção virtual. Enfim, espera-se que as atitudes de Sofia não apresentem mais um risco para a segurança infantil.