Caminhos para combater os crimes de pedofilia na internet
Enviada em 15/12/2020
Construída por Nelson Rodrigues, a peça Valsa nº6 retrata o drama psicológico vivido por uma adolescente seduzida e abusada sexualmente por seu médico. Em similar perspectiva, milhares de crianças são enganadas diariamente no mundo virtual por pedófilos, corrompendo então a angelicalidade infantil. Perante este viés, é válido ressaltar que, não somente o ensinar o reconhecimento do ato, como também encorajar a denúncia compõem uma via de mão dupla no combate a cyberpedofilia.
Na contemporaneidade, com o advento da era digital, é de suma importância ensinar os “conceitos básicos” de defesa para que as crianças reconheçam virtualmente pessoas más intencionadas. Nesse contexto, não só a ingenuidade mas também a proximidade e informalidade da vítima com o pedófilo podem dificultar a caracterização do abuso. Diante dessa situação, ressalta-se a necessidade de comunicar, desde cedo, os limites do toque e o conceito de região íntima, para que quando apresentados ao assunto já possuam o mínimo de conhecimento e propriedade do que é inadequado e comuniquem alguém de confiança. Portanto, é de fundamental importância abordar a educação sexual sem tabus na rotina familiar/escolar, para que se exposta a este pesadelo a criança saiba reconhecer.
Na atualidade, apesar dos inúmeros canais de denúncia como Disque 100, o aplicativo Proteja Brasil e o próprio Conselho Tutelar, a coragem infantil ainda esconde-se embaixo do preconceito nacional. Nesse viés, visto que cerca de 65% das vítimas são abusadas por familiares, segundo a OAB-RS, é de notória necessidade frisar a relevância de conversas abertas, tanto na família quanto na escola, que transmitam confiança e respeito para essa criança que encontra-se desolada e sejam o apoio clamado naqueles olhos. Assim, ao criar vínculos cogno-emocionais será também de mais fácil percepção pequenas mudanças comportamentais e físicas características do assédio, mesmo que virtual.
No contexto de ideologias excludentes e invisibilizadas socialmente encontra-se a cyberpedofilia. Nesse sentido, tanto o reconhecimento do agressor virtualmente quanto a necessidade da denúncia são igual importância para a extinção desta forma de pedofilia. Diante o exposto, propõe-se uma oportunidade conjunta para que as Escolas e os Governos Municipais, por meio de assistentes sociais, criem leis, que através de campanhas mensais, levem para famílias com crianças de 0-13 anos, vídeos educativos, jogos, e conversas que explicarão e promoverão a conscientização da cyberpedofilia. Nessa perspectiva, a compreensão do ato, a similaridade com outros casos e a sensação de acolhimento naturalizarão o assunto e assim se criará uma via de mão dupla familiar fortalecendo o empoderamento infantil. Nesse viés, ao dar voz as crianças impediremos cenas como a de Valsa nº 6.