Caminhos para combater os crimes de pedofilia na internet

Enviada em 14/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma ilha imaginária na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que foi idealizado por More, uma vez que a pedofilia na internet destaca-se como um importante desafio a ser enfrentado pela sociedade. Esse cenário nocivo demanda por orientação e possui fortes impactos na vida criança. Logo, convém a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigá-la.

Vale ressaltar, a princípio, a carência de políticas educativas que orientem no combate à pedofilia na internet. Sob essa perspectiva, o filósofo Paulo Freire destaca a educação como elemento fundamental para mudanças sociais e, por isso, defendia um ensino capaz de estimular reflexões críticas que levem a uma maior compreensão da sociedade. No entanto, situações atuais vão de encontro a esse ideal na medida em que crianças e adolescentes crescem sem receber uma educação sexual adequada para que consigam detectar situações de risco e sintam-se seguras para compartilha-las com alguém. Somado a isso, a falta de vigilância da família deixa a criança mais vulnerável à ação dos pedófilos no meio virtual. Desse modo, nota-se a importância da instrução contra o abuso sexual infantil.

Ademais, há preocupantes problemáticas advindas dessa conjuntura. Nesse sentido, é pertinente destacar o aliciamento virtual de crianças com mensagens enganosas, realizado por meio de aplicativos e redes sociais, a fim de conseguir se encontrar pessoalmente com a vítima para cometer o estupro. Nesse contexto, Freud, considerado a pai da psicanálise, explica que as experiências vividas na infância influenciam o comportamento da pessoa em toda a vida. Desse modo, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura, uma vez que a pedofilia consiste numa chaga social e o abuso causa danos permanentes às vítimas.

Portanto, providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas que, por meio de oficinas pedagógicas, discussões engajadas e palestras, possua como finalidade combater a pedofilia no meio virtual. Esses eventos devem contemplar a educação básica, contar com a participação de profissionais que proporcionem uma educação sexual adequada a faixa etária do aluno e auxiliar os familiares com mecanismos de vigilância virtual e melhores formas de dialogar sobre o assunto com os filhos. Assim, essas medidas possibilitarão a concretização de transformações desejáveis na realidade brasileira.