Caminhos para conscientizar os brasileiros sobre a importância da saúde dermatológica
Enviada em 21/10/2025
Ailton Krenak, renomado pensador, em “A vida não é útil”, denuncia a letargia ética que acomete o corpo social. No Brasil, essa crise é visível na insuficiente conscientização sobre a saúde dermatológica, expondo a população a riscos e diagnósticos tardios. Logo, urge refletir sobre as causas dessa limitação: a normalização do sofrimento alheio e o persistente sofisma legislativo.
Em primeiro plano, a baixa conscientização decorre da banalização da dor e da priorização estética no meio digital. Sob essa ótica, Susan Sontag, em “Diante da Dor dos Outros”, argumenta que a exposição excessiva a imagens chocantes gera apatia e anestesia moral. Nessa mesma linha, e ratificando a escritora, a tendência de encarar problemas de pele como as manchas, meramente como falhas estéticas transforma a potencial doença em detalhe visual, limitando a capacidade coletiva de encará-la como risco à saúde. Configura-se, desse modo, um cenário em que a atenção preventiva se torna secundária, o que é inadmissível.
Ademais, o sofisma legislativo atravessa a história. Tal como o Parlamento Longo da Inglaterra século XVII priorizou a autopreservação em detrimento da representatividade, a inércia do Congresso Nacional reflete desvio análogo. Atualmente, essa falha se manifesta na insuficiência de políticas públicas e na carência de recursos destinados à dermatologia preventiva no SUS. Desse modo, a permanência dessa postura em prol de interesses próprios, que negligencia a saúde pública, configura um inaceitável desvio dos pilares republicanos.
Portanto, para vencer a letargia ética e o sofisma legislativo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Federal de Medicina e a Sociedade Brasileira de Dermatologia, implementar campanhas de rastreamento e conscientização de doenças de pele. Tal intervenção deve ser executada por meio da destinação de verbas para o SUS e da utilização de mídias de grande alcance, a fim de garantir o acesso à informação e a detecção precoce de lesões malignas. Somente assim, com a adoção dessas práticas, o corpo social, descrito por Krenak, despertará do coma civilizatório em que se encontra.