Caminhos para controlar os efeitos da gentrificação no Brasil
Enviada em 26/02/2026
A progressão do capitalismo para um estágio avançado proporcionou um aumento considerável da qualidade de vida da populção geral. Contudo, essa evolução também trouxe uma maior desigualdade entre as classes sociais. Nesse aspecto, o processo de gentrificação, êxodo dos mais pobres por razões socioeconomicas, é uma das consequências indesejáveis desse modelo de organização política. Além disso, a persistência desse fenômeno pode - a longo prazo - levar ao crescimento de comportamentos elitistas e das diferenças sociais.
Em príncipio, é necessário separar: problemas amenizáveis não solucionáveis - chamados de estruturais - e os demais, pois os primeiros estão fundamentados na organização social brasileira. Nesse sentido o economista Gregory Mankiw no livro “Principles of Economics” - em português “Princípios da econômia” - disserta sobre a base do sistema de mercado capitalista. Em síntese, o autor explica, que nesse modelo há sempre uma troca entre eficiência, o melhor destino aos recursos escassos, e igualdade, a distribuição semelhante das mercadorias numa comunidade. Com isso em mente, entende-se: se para impedir a gentrificação os agentes públicos fornecerem igualmente moradia às pessoas, então a eficiência da destinação desses bens pelos processos de mercado é sacrificada. Em razão disso, sem mudança estrutural, esse êxodo e seus efeitos não são controláveis.
Isso posto, os desdobramentos da continuidade desse deslocamento forçado são graves. Primeiramente, o processo de choque de culturas entre os novos moradores - elite - e os antigos - classe baixa - pode levar à manifestação de comportamentos preconceituosos, como o elitismo. Segundamente, a longo prazo esse movimento de saída aumentaria a desigualdade de classes e possivelmente também a segregação da população mais pobre, que viveria em regiões mais periféricas e sofreria com a discriminação social.
Em suma, para amenizar o crescimento de comportamentos elitistas e das diferenças socioeconomicas, é preciso aumentar o orçamento público referente a progamas de auxílio moradia - também facilitar o acesso a esses serviços pelas pessoas carentes. Isso será feito pelo Estado, em especial o Ministério Público, por meio de votação e aprovação de um projeto de lei na câmara dos deputados.