Caminhos para controlar os efeitos da gentrificação no Brasil

Enviada em 26/02/2026

O geógrafo Milton Santos afirma que o espaço urbano é resultado das relações sociais que o constituem. No contexto brasileiro, essa dinâmica evidencia um cenário em que o acesso à moradia digna permanece limitado, agravado pela intensificação da gentrificação, a qual eleva o custo de vida em determinados bairros e força a população local a se deslocar para áreas precárias e periféricas. Dessa maneira, é preciso discutir essa problemática para, assim, solucioná-la.

Nesse sentido, o aumento das despesas cotidianas revela-se como um dos principais impactos da gentrificação. A chegada de moradores com maior poder aquisitivo, aliada a investimentos e melhorias urbanas em bairros que antes não possuíam esse tipo de incentivo, provoca valorização imobiliária e amplia os custos habitacionais e os gastos essenciais. Segundo a Agência Brasil, o preço do aluguel no país subiu quase três vezes mais que a inflação em 2024, evidenciando a magnitude da elevação dos custos sobre as condições de vida da população. Desse modo, a intensificação desse processo urbano compromete não apenas o acesso à moradia, mas também os meios materiais de subsistência dos cidadãos.

Ademais, o deslocamento forçado das pessoas contribui para a expansão de espaços periféricos vulneráveis. Isso ocorre pois, ao não conseguirem arcar com o aumento dos custos habitacionais, muitos indivíduos passam a ocupar regiões afastadas e com acesso limitado à infraestrutura básica, o que intensifica a super-lotação e a precarização dessas localidades. De acordo com o IBGE, houve aumen-to de quase 5 milhões de pessoas vivendo em assentamentos precários em pouco mais de uma década. Assim, fica claro que a gentrificação amplia a segregação socioespacial e compromete as condições de vida da população deslocada.

Por isso, é preciso que o Poder Público implemente políticas de controle do custo habitacional por meio da ampliação de programas de habitação de interesse social e da regulamentação do mercado imobiliário em áreas urbanas valorizadas, me-diante a concessão de subsídios ao aluguel e a destinação de imóveis ociosos para moradia popular, a fim de garantir a permanência da população de baixa renda em regiões centrais e reduzir o deslocamento compulsório para espaços periféricos vulneráveis. Assim, o Brasil promoverá melhores condições de vida nas cidades.