Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 09/10/2019

Na obra Vidas Secas de Graciliano Ramos, o retirante Fabiano e sua família sofrem angustiosamente com a seca nordestina, a qual ocasiona muitos períodos de fome. Fora da literatura, a insegurança alimentar defluente de problemas climáticos, bem como do preconceito dos indivíduos, perpetua a fome crônica no Brasil, ainda que em níveis baixos. Nesse sentido, ações mais efetivas da gestão pública são primordiais para mitigar esse nefasto cenário.

Em primeira análise, é necessário destacar a triste realidade de algumas populações brasileiras, em especial as do semiárido nordestino. A esse respeito, tal como representado na obra de Ramos, muitas famílias passam longas privações alimentares geradas pelas secas periódicas. Destarte, a ausência de água e, por conseguinte, a impossibilidade de plantação, impede essas pessoas de obterem o básico de nutrientes vitais para a homeostase do organismo, de modo a resultar sérias doenças e/ou morte. Assim sendo, ações do Poder Público são preponderantes para o bem-estar daquelas.

Ademais, a incúria da maioria da sociedade em descartar indevidamente os alimentos por preferências estéticas é nociva para alguns. Conforme a filósofa Hannah Arendt, existe a banalidade do mal, isto é, um mal corriqueiro e aceito. Acerca disso, o ato de desconsiderar certos alimentos, sobretudo em hortifrútis, apenas por uma questão externa, naturalizou-se no comportamento coletivo. Em vista disso, muitas pessoas em situação de vulnerabilidade, como os moradores de rua, ficam muitos intervalos sem ingestão. Deste modo, urge iniciativas para desestimular essa prática tenebrosa.

Impende, portanto, que a fome crônica, por certo, existe no Brasil e deve ser minimizada. Com isso, cabe ao Ministério da Infraestrutura construir cisternas movidas a energia solar — tornando o acesso gratuito — por meio de destinação de verba. Essa iniciativa tem o fito de levar água para o sertão nordestino. Além disso, o Ministério dos Direitos Humanos deve propagar bancos de alimentos pelo país, que recebam doações esteticamente rejeitadas e aptas para o consumo, de forma a distribuir comidas para os desassistidos. Assim, a nação vai remediar casos deploráveis, como o retratado pelo poeta da geração de 30.