Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 29/08/2019

Ao afirmar, “Se queres prever o futuro, estuda o passado”, o filósofo Confúcio faz, de certa maneira, uma comparação entre o futuro e o passado. De fato ele estava certo pois, a fome não é um problema atual. Desde o período colonial uma parcela social sofre com essa realidade, já que a característica agroexportadora do Brasil coloca o mercado externo como prioridade no comércio. Assim como, hodiernamente, as adversidades ainda persistem, seja pela pela desigualdade social e pela inércia governamental.

É indiscutível que a concentração de renda está entre as causas do problema, tendo em vista que o sistema econômico capitalista traz consigo a divisão de classes sociais. Nessa lógica, segundo Karl Marx, a fome não está relacionada pela escassez de alimento ou alto contingente populacional, mas sim pelo acúmulo de capital nas mãos de poucos. No Brasil, de acordo com o IBGE, 30% da renda do país está nas mãos de 1% da população, o que corrobora para a situação de pobreza de grande parcela social. Dessa forma, nota-se que uma reformulação tributária e um redirecionamento de renda são alguns dos caminhos para o combate desse problema.

Ademais, outra razão para os altos índices de fome no país é a negligência governamental. De acordo com o filósofo Friedrich Hegel, o Estado deve proteger os seus “filhos”. No entanto, é notório que o Poder Público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que inúmeras famílias no país não possuem condições de adquirir alimentação digna. Tal situação torna evidente a importância de políticas públicas específicas nesse setor que garantam o direito à alimentação.

Logo, são necessárias medidas para mudar a questão. Por isso, cabe ao Governo Federal, mediante o aumento percentual de investimentos - o qual será possibilitado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias - ampliar os programas sociais que levem condições de vida à camada com menos recursos, por meio de apoio às instituições sem fins lucrativos, com vistas à construção gradativa de uma sociedade mais harmônica. Dessa forma, o Estado poderá, finalmente, proteger os seus “filhos”, assim como propôs Hegel.