Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 29/10/2019

O quadro “Os Retirantes”, de Cândido Portinari, mostra uma situação muito comum no Brasil do século XX: pessoas vendo-se obrigadas a abandonar sua “terra natal” por causa da triste condição de fome. Na atualidade, embora o país já se encontre fora do Mapa da Fome, ainda existem indivíduos inseridos nessa realidade hedionda, devido à má distribuição dos alimentos causada, principalmente, pela insuficiência de políticas públicas que garantam a nutrição adequada de toda a população e que tem como consequência a quebra da harmonia social.

A princípio, nota-se que a fome é a expressão biológica dos males sociológicos, isto é, a injusta estrutura agrária brasileira que concentra as terras nas mãos de poucos impede os trabalhadores de cultivarem o solo para seu próprio sustento e de sua família. Dessa forma, tal organização arcaica comprova a ideia, defendida pelo filósofo inglês Thomas Hobbes, de que o homem é um “átomo de egoísmo”, ou seja, o ser humano é movido por interesses pessoais e não leva em consideração as necessidades dos seus semelhantes.

Consequentemente, apesar dos resultados obtidos com o programa “Fome Zero”, o Brasil ainda possui 3,4 milhões de pessoas em condição subalimentar, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Esses dados revelam, então, que o “governo da vida”, ou “biopoder”, de Michel Foucault, conceituado como gestão da saúde, alimentação, higiene etc., que são vitais para a sociedade, não está sendo assegurado pelo Estado.

Portanto, na tentativa de acabar com esse quadro de desarmonia, é de extrema importância que medidas sejam tomadas. Logo, é necessário que o Ministério da Agricultura - responsável por promover a segurança alimentar e reduzir as desigualdades -, aliado aos governos Federal, Estadual e Municipal, desenvolva o programa “Brasil sem Fome”, similar ao “Fome Zero”. Essa política deverá funcionar da seguinte da forma: as regiões mais afetadas por essa mazela, como a cidade de Belágua, no Estado do Maranhão, receberão casas de apoio, construídas pelas prefeituras, que distribuirão alimentos para as famílias carentes, com a finalidade de nutrí-las de forma correta. Tal comida será doada pelo próprio Ministério da Agricultura, bem como por empresários e membros do corpo social. Assim, esse mal que “devora” tantas vidas será erradicado.